Mendonça diz que não consegue acessar celular de Vorcaro e pede ajuta à PF

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Por Dayane SantosBrasil 247

247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou à Polícia Federal que seu gabinete ainda não conseguiu acessar efetivamente a íntegra dos dados de um dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi publicada neste sábado (19) pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, com base em ofício encaminhado pelo magistrado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

No documento, Mendonça relata que os dados armazenados na mídia entregue pela Polícia Federal não puderam ser consultados pelo gabinete. Segundo o ministro, a dificuldade pode estar relacionada tanto a questões técnicas e operacionais quanto a um eventual problema no próprio material fornecido pela corporação.

“Até o presente momento, seja por dificuldades de ordem técnica operacional, seja por algum tipo de defeito contido na mídia entregue, este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido, permanecendo os respectivos dados e informações indisponíveis ao exame e análise deste juízo”, afirma Mendonça no ofício.

Diante do problema, o ministro solicitou que a Polícia Federal preste o suporte técnico necessário para permitir a leitura dos arquivos. Mendonça também pediu que a corporação confira a integridade do material encaminhado ao Supremo, numa tentativa de identificar a origem da dificuldade de acesso.

No pedido, o ministro requer à PF “auxílio técnico operacional necessário, bem como a conferência na higidez do material especificamente entregue” ao gabinete, “a fim de viabilizar a superação de qualquer óbice ao efetivo acesso ao referido material”.

Disputa pelo conteúdo do celular

Mendonça e o ministro Luiz Fux solicitaram acesso ao mesmo conjunto de informações que já havia sido disponibilizado aos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.

Fux também pediu à Polícia Federal acesso integral ao conteúdo do aparelho nos últimos dias. A circulação das informações entre diferentes gabinetes do Supremo tornou o material apreendido pela PF um dos pontos centrais da atual controvérsia envolvendo o caso Banco Master.

A questão ganhou relevância porque os dados extraídos dos aparelhos de Vorcaro passaram a ser analisados por diferentes integrantes da Corte. As informações obtidas pela Polícia Federal incluem mensagens e registros de contatos do ex-banqueiro com autoridades, empresários, advogados e outras pessoas.

Reportagens publicadas nos últimos dias também apontaram referências, nas mensagens, a integrantes ou familiares de ministros do Supremo. Entre os citados estão os filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além de contatos envolvendo o próprio André Mendonça. Os envolvidos negaram irregularidades ou relações indevidas apontadas a partir das mensagens.

A dificuldade relatada por Mendonça acrescenta um novo capítulo à disputa sobre quem pode consultar o material e em que condições. O caso envolve dados apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O acesso aos arquivos também se tornou objeto de divergências entre os próprios ministros. Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, já havia determinado medidas envolvendo mensagens extraídas do celular de Vorcaro. A divulgação de parte desse conteúdo provocou reações de outros integrantes da Corte e ampliou a discussão sobre os limites de acesso e divulgação das informações.

Nos últimos dias, ministros passaram a solicitar diretamente à PF cópias ou acesso ao material bruto. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já haviam recebido os dados, enquanto Fux e Mendonça também buscaram acesso ao conteúdo. Posteriormente, Kassio Nunes Marques solicitou à Polícia Federal acesso à íntegra dos diálogos, que já havia sido disponibilizada a outros ministros.

A controvérsia ocorre enquanto o conteúdo do aparelho de Vorcaro é examinado em diferentes frentes. Mensagens reveladas pela investigação passaram a integrar o debate sobre as relações mantidas pelo ex-banqueiro com integrantes do Judiciário, advogados e agentes políticos.

Nesse cenário, o pedido apresentado por Mendonça à Polícia Federal tem caráter técnico: o ministro afirma que os arquivos disponibilizados ao seu gabinete não puderam ser acessados e solicita que a corporação verifique a integridade da mídia e forneça suporte para tornar os dados disponíveis à análise judicial.

Até o momento, o documento não atribui à Polícia Federal responsabilidade deliberada pela impossibilidade de acesso. Mendonça registra apenas duas possibilidades para o problema: dificuldades técnicas ou eventual defeito no material entregue ao gabinete.

Fonte: Brasil 247

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