‘Uso minhas letras como arte-educação’, diz a artista indígena Brisa Flow
Por Augusto Diniz — Carta Capital
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Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
A cantora, de origem mapuche, afirma que seu novo disco será ‘livre’, após superar ‘armadilhas’ da indústria musical
Mineira e filha de chilenos de origem mapuche, Brisa Flow cresceu respirando em casa a herança de seu povo indígena. O rap, contudo, cruzou o seu caminho quando ela passou a frequentar uma das batalhas de rimas mais famosas do País: a do Viaduto de Santa Tereza, em Belo Horizonte.
“A entrada [na música] foi pelo freestyle”, relembrou em entrevista a CartaCapital. Depois vieram Newen (2016), Selvagem como o Vento (2018), Free Abya Yala (2020) e Janequeo (2022).
Agora, ela se prepara para lançar Free Abya Yala Volume 2. “O Volume 1 foi meu projeto mais underground”, destaca, acrescentando que, no segundo, busca mais liberdade após um período de transformações.
Com músicas marcadas por fortes críticas ao que chama de “patriarcado colonial”, Brisa Flow afirma estar em uma retomada dessa pegada “como um movimento de saúde mental e de luta”.
Nos últimos anos, conquistou palcos em festivais como Rock in Rio e Lollapalooza, mas confessa ter esbarrado nas “armadilhas” da indústria musical: “Fiquei entre o mainstream e o underground. Mas depois dei uma afastada de tudo.”
Vivendo um período pós-parto, a cantora descreve seu novo trabalho como maduro e profundo, abordando inclusive o desejo sexual depois da maternidade. “Trabalho também com a desconstrução do machismo”, explica. O disco promete quebrar estereótipos e revelar a face mais íntima da artista.
“Pesquiso música indígena há muitos anos. Faz cerca de 10 a 15 anos que que vou atrás dos acervos. Uso minhas letras como arte-educação. Minha tendência é olhar cada vez mais para esse passado”, ressalta. “O disco novo será uma forma de me conhecer sem filtro.”
Brisa Flow mantém no novo trabalho a base do boom bap, estilo clássico do rap que adotou ao longo da carreira. “O mais difícil foi ser independente musicalmente e conseguir fazer tudo isso em meio ao apagamento que tem a música indígena”, afirma. “Mas meu grande desafio é continuar dialogando com a juventude.”
Assista à entrevista de Brisa Flow a CartaCapital:
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Fonte: Carta Capital