Mendonça vê tentativa de intimidação em operação da PF que teve aliado como alvo
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), interpretou a operação da Polícia Federal contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), deflagrada nesta segunda-feira (14), como uma nova tentativa de intimidá-lo em meio à crise interna que atinge a Corte.
Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, Mendonça afirmou a aliados que considera a ação uma forma de constrangimento. A avaliação leva em conta a proximidade entre o ministro e o parlamentar, que participou ativamente da articulação política em favor de sua indicação ao Supremo.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. A investigação da PF apura suspeitas relacionadas a uma possível estrutura de “comercialização de influência” junto a integrantes do Supremo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Operação atinge aliado próximo de Mendonça
Cezinha de Madureira mantém uma relação política próxima com Mendonça e esteve entre os principais articuladores de sua chegada ao Supremo. O deputado também intermediou, em março de 2025, um encontro entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
É justamente essa proximidade que está no centro da interpretação política atribuída a Mendonça pela Folha. De acordo com a coluna, o ministro avalia que a operação representa mais uma iniciativa destinada a desgastá-lo dentro do STF.
Na visão atribuída a Mendonça, o grupo ligado ao ministro Alexandre de Moraes estaria tentando enfraquecê-lo em um momento no qual o magistrado ocupa posição central nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Ainda conforme a reportagem, Mendonça considera que essas tentativas se intensificaram depois que o presidente do STF, Edson Fachin, marcou o julgamento que poderá resultar no afastamento de Moraes.
PF investiga suspeita de tráfico de influência
A avaliação política de Mendonça, entretanto, é distinta do objeto formal da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Segundo a PF, a Operação Transparência 3 busca apurar suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais superiores. Também estão sob investigação possíveis práticas de exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.
A investigação aponta a possível existência de uma estrutura na qual Cezinha teria atuado junto a Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), em articulações envolvendo processos analisados por tribunais superiores.
De acordo com informações constantes do pedido da PF, conversas investigadas mencionam ações sob relatoria dos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.
A própria Polícia Federal, porém, fez uma ressalva importante: nenhum desses ministros é investigado. A corporação afirma que não encontrou elementos indicando solicitação, aceitação ou recebimento de vantagens indevidas por integrantes do Judiciário.
A investigação, portanto, concentra-se na eventual venda ou exploração da capacidade de influência alegada pelos investigados, e não em suspeitas contra os magistrados citados nas conversas.
Mendonça relaciona episódio à crise no Supremo
A operação ocorre em um momento particularmente delicado para o STF. Mendonça está no centro da crise envolvendo o Banco Master e as relações mantidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes da Corte.
A reação do ministro adiciona, assim, um novo elemento à disputa que divide o Supremo justamente às vésperas de uma sessão considerada decisiva para os rumos da crise.
O cenário também é marcado por divergências sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master. Ministros da Corte vêm discutindo o acesso ao material apreendido pela PF e os limites da atuação dos diferentes gabinetes nos procedimentos relacionados ao caso.
Julgamento envolvendo Moraes ocorre nesta terça
O julgamento que poderá afetar a situação de Alexandre de Moraes está previsto para esta terça-feira (15), às 10h, em sessão pública.
Ainda existem, no entanto, dúvidas sobre o rito que será adotado e sobre quais ministros participarão da votação. Também há a possibilidade de um pedido de vista, o que poderia adiar uma definição do plenário.
A proximidade entre a operação contra Cezinha e a sessão aumenta a temperatura política dentro do tribunal. Para Mendonça, conforme a versão relatada pelo Painel, os dois acontecimentos fazem parte de um ambiente de crescente pressão sobre sua atuação.
Cezinha, por sua vez, nega ter cometido irregularidades. Em nota divulgada nesta segunda-feira, sua defesa afirmou que o deputado está à disposição das autoridades e sustentou que os fatos serão esclarecidos no devido processo legal.
Fonte: Brasil 247