A semana no mundo: custo de vida pressiona França, Kennedy Center na mira de Trump e China reage à queda populacional

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Por oteroFundação Perseu Abramo

Poder de compra domina a corrida presidencial francesa; centro-esquerda lidera a apuração na Suécia, Kennedy Center enfrenta risco de fechamento e China amplia políticas de apoio à natalidade

Por Fernanda Otero

A sete meses da eleição presidencial de 2027, a França entra na campanha com o custo de vida no centro do debate. A alta dos preços, a perda de poder de compra e o pessimismo dos eleitores pressionam os candidatos e abrem espaço para propostas de ruptura tanto à direita quanto à esquerda.

Na Suécia, resultados preliminares apontam vantagem estreita do bloco de centro-esquerda e colocam a social-democrata Magdalena Andersson mais perto de retornar ao governo. A fragmentação do Parlamento, no entanto, deve dificultar a formação de uma coalizão estável.

Nos Estados Unidos, o Kennedy Center, presidido por Donald Trump, enfrenta uma crise financeira e pode fechar seu prédio principal. Na China, o governo amplia os investimentos em creches, saúde infantil e subsídios para enfrentar quatro anos consecutivos de queda da população.

Custo de vida domina corrida presidencial francesa

Pesquisa aponta pessimismo generalizado entre os eleitores, enquanto Le Pen e Mélenchon disputam respostas para a perda do poder de compra

A sete meses da eleição presidencial, o custo de vida se tornou o principal tema da campanha na França. Pesquisa Ipsos divulgada no domingo (13) mostra que apenas 17% dos franceses se dizem esperançosos, enquanto 91% relatam sentimentos negativos sobre a situação do país, marcados por preocupação, incerteza e raiva.

O levantamento também mostra que 59% dos eleitores afirmam estar preocupados, ante 38% em 2021. Segundo o diretor da Ipsos, Brice Teinturier, o aumento do pessimismo fortalece o desejo por mudanças sociais e políticas mais profundas.

A principal preocupação dos eleitores é o poder de compra. A alta dos preços da moradia, dos combustíveis e dos alimentos ampliou a insatisfação com o sistema político. Ondas de calor que prejudicaram as colheitas e a guerra no Irã, com impacto sobre os preços da energia, também aumentaram a pressão sobre os orçamentos familiares.

Além da inflação, a queda no nível de emprego pesa sobre a renda. O poder de compra das famílias francesas deve recuar 0,4% neste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos da França (Insee).

A extrema direita tenta capitalizar o descontentamento. Marine Le Pen abriu a retomada da campanha do Reagrupamento Nacional em Hénin-Beaumont prometendo reduzir de 20% para 5,5% o Imposto sobre Valor Agregado cobrado sobre gás, eletricidade e óleo de aquecimento. Também voltou a defender prioridade para os franceses no acesso à habitação social.

No campo progressista, Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, propôs um “estado de emergência social”, com controle dos preços de produtos essenciais, limitação das margens de lucro, congelamento dos aluguéis e reajuste dos salários pela inflação. O comunista Fabien Roussel concentrou seu discurso no preço dos combustíveis.

O conservador Bruno Retailleau defendeu que os empregados trabalhem 30 minutos a mais por dia para receber o equivalente a um ou dois salários extras por ano. Édouard Philippe e Gabriel Attal, representantes do campo de centro-direita, fizeram aparições públicas no fim de semana, mas não apresentaram propostas específicas sobre o custo de vida.

Marine Le Pen aparece na liderança, com índices entre 33% e 35% das intenções de voto.

(Informações da France 24 e do Le Monde)

Centro-esquerda lidera apuração na Suécia

Magdalena Andersson pode retornar ao cargo de primeira-ministra, mas fragmentação parlamentar dificulta a formação do governo

O bloco de centro-esquerda liderava por três cadeiras os resultados preliminares das eleições gerais realizadas no domingo (13) na Suécia. A vantagem coloca a social-democrata Magdalena Andersson como principal nome para suceder o atual governo de direita.

Apesar do resultado favorável, a formação de uma maioria parlamentar permanece incerta. Andersson deverá reunir partidos com posições distintas para construir uma coalizão estável.

O atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, governa com forte dependência dos Democratas Suecos, partido de extrema direita e anti-imigração. Segundo analistas ouvidos pela Euronews, parte dos eleitores buscou preservar medidas adotadas pelo governo conservador, mas também reduzir a influência da extrema direita sobre a política nacional.

(Informações da Euronews)

Kennedy Center enfrenta risco de falência sob comando de Trump

Conselho presidido pelo presidente dos Estados Unidos pode fechar o prédio principal diante da crise financeira e dos problemas de manutenção

O John F. Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington, está à beira da falência e pode fechar seu prédio principal na terça-feira (15), segundo documentos obtidos pelo jornal The Washington Post.

Um relatório de 57 páginas preparado para uma reunião especial do conselho afirma que a instituição pode ficar sem recursos para pagar funcionários e contratos de manutenção dentro de poucas semanas. O documento também recomenda o fechamento imediato do prédio principal por razões de segurança.

O conselho de curadores, presidido por Donald Trump, sustenta que o reconhecimento público da participação do presidente na instituição poderia facilitar a captação de recursos. Entre as propostas está a inclusão do nome de Trump na fachada do centro cultural.

Criado como memorial ao ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, o centro passou por uma intervenção direta de Trump após sua posse para o segundo mandato. O republicano assumiu a presidência do conselho e substituiu parte da direção por aliados.

O conselho chegou a aprovar a inclusão do nome de Trump no edifício, mas a mudança foi barrada pela Justiça. Artistas cancelaram apresentações em protesto, enquanto a venda de ingressos e assinaturas registrou forte queda.

A instituição deve arrecadar cerca de US$ 124 milhões de uma receita projetada em US$ 220 milhões. Mesmo depois de cortes de despesas, o déficit estimado para o último ano fiscal é de aproximadamente US$ 23 milhões.

(Informações do The Washington Post e do The Guardian)

China amplia políticas de apoio à natalidade

Governo pretende expandir creches, subsídios e atendimento pediátrico após quatro anos consecutivos de queda populacional

A China anunciou novas medidas de apoio à natalidade para o 15º Plano Quinquenal, que abrange o período de 2026 a 2030. O país registra quatro anos consecutivos de redução da população.

O ministro da Saúde, Lei Haichao, afirmou na segunda-feira (14) que a China continuará entre as nações mais populosas do mundo. O país tem atualmente cerca de 1,405 bilhão de habitantes e registra aproximadamente 8 milhões de nascimentos por ano.

Segundo o governo, a força de trabalho chinesa seguirá numerosa e mais qualificada. Mais de 10 milhões de estudantes ingressam anualmente em faculdades e universidades do país.

As políticas de apoio à natalidade buscam reduzir as despesas das famílias com parto, criação e educação dos filhos. Mais de 30 milhões de famílias já foram beneficiadas pelos subsídios lançados no ano passado.

Nos próximos cinco anos, o governo pretende integrar os serviços de creche e educação infantil e apoiar comunidades e empregadores na criação de novas unidades. O objetivo é ampliar o acesso a serviços próximos e com preços acessíveis.

A China também prevê expandir o atendimento pediátrico nas unidades básicas de saúde. Cerca de 3.100 pediatras já foram enviados a centros comunitários e municipais, enquanto uma lei nacional sobre serviços de cuidado infantil está em discussão na Assembleia Popular Nacional.

(Informações do Global Times e do China Daily)

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Apenas 17% dos franceses se dizem esperançosos, enquanto 91% relatam sentimentos negativos sobre a situação do país

O Kennedy Center prevê arrecadar US$ 124 milhões de uma receita projetada em US$ 220 milhões

Mais de 30 milhões de famílias chinesas já receberam subsídios de apoio à natalidade

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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