Preço dos alimentos cai pelo terceiro mês seguido, mas percepção do consumidor ainda desafia governo
Por henriquenunes — Fundação Perseu Abramo
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 11 de setembro, registrou deflação de 0,32% em agosto de 2026. Foi a maior queda mensal do índice em quatro anos.
O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,34%, no terceiro mês consecutivo de variação negativa. A alimentação no domicílio caiu 0,61%, impulsionada pela maior oferta de produtos. Entre as principais quedas estão a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%).
De modo geral, a cesta básica ficou mais barata em 25 das 27 capitais brasileiras entre julho e agosto, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada em 10 de setembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Percepção ainda resiste à queda
A redução de 0,61% na alimentação no domicílio configura o que os economistas chamam de deflação pontual, ou seja, uma queda média dos preços em relação ao mês anterior. Essa oscilação diminui o ritmo de crescimento dos custos, mas não anula as altas acumuladas nos períodos anteriores.
A diferença entre os indicadores e a percepção da população ganhou peso em meio à campanha eleitoral. De acordo com levantamento da Quaest, quando questionados sobre os preços dos alimentos nos mercados, supermercados e feiras no último mês, 67% dos brasileiros afirmaram que os produtos ficaram mais caros.
Para o economista e subsecretário do Ministério da Fazenda Rodrigo Toneto, o governo ainda lida com os efeitos da alta acumulada durante a gestão anterior, mas vem conseguindo reduzir o ritmo de crescimento dos preços.
“Precisamos explicar que os alimentos ainda estão caros porque subiram muito no governo anterior. Foram mais de 50% no acumulado, contra 13% neste governo. Então, as coisas ficaram num patamar alto e nunca voltaram atrás. O que a atual gestão está fazendo é começar a reverter o estrago que o governo Bolsonaro fez nos preços. Agora estamos voltando a ter um patamar mais baixo, inclusive com deflação no último mês”, explica.
Entre janeiro de 2019 e julho de 2022, a alimentação no domicílio acumulou alta de 54,2%. No período equivalente do governo Lula, entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o aumento foi de 13,6%.
Outro ponto citado por Toneto é que o aumento do poder de compra e a valorização do salário mínimo contribuíram para diminuir os efeitos da inflação no bolso das famílias.
“A gente tem controlado a inflação, que está sendo a melhor inflação da história, mas estamos com o maior nível de salário da história. Então, o governo Lula não só ajudou a controlar a inflação, como também aumentou a renda das famílias. Quando a gente assumiu, comprava-se muito menos.”
Segurança alimentar
Toneto também destaca a retomada dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento. O instrumento permite ao poder público atuar em momentos de redução da oferta e de pressão excessiva sobre os preços.
A retomada dos estoques integra o conjunto de políticas de segurança alimentar adotadas desde 2023. Nesse período, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas.
O Governo Federal também retomou e ampliou programas de segurança alimentar e de apoio à agricultura familiar. Um dos exemplos é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Desde 2023, o orçamento destinado à alimentação escolar cresceu cerca de 55%. O programa garante refeições a aproximadamente 40 milhões de estudantes. Durante a gestão anterior, os valores repassados por aluno permaneceram sem reajuste.
Fonte: Fundação Perseu Abramo