Costa Rica inaugura presídio inspirado na polêmica megaprisão de El Salvador
Por AFP — Carta Capital
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Os primeiros detentos serão transferidos no fim do mês
A presidente da Costa Rica, Laura Fernández, inaugurou nesta quarta-feira 14 uma prisão de segurança máxima inspirada na megaprisão de El Salvador, símbolo da guerra contra as gangues liderada pelo presidente Nayib Bukele e alvo de críticas de organizações de defesa dos direitos humanos.
No corredor de um dos pavilhões, entre fileiras de celas, Fernández apresentou o presídio como uma demonstração de sua política dura contra o crime, especialmente o narcotráfico, que tem impulsionado a violência neste país que durante décadas foi considerado um dos mais seguros da América Latina.
“Estamos marcando um antes e um depois na Costa Rica em matéria de segurança penitenciária e segurança nacional (…) Vamos exercer mão firme porque ‘quem faz, paga’”, declarou a presidente, entusiasta da política de segurança adotada por Bukele.
O Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado (Cacco), para onde os primeiros detentos serão transferidos no fim do mês, está localizado dentro do complexo penitenciário La Reforma, em San Rafael de Alajuela, a cerca de 20 km de San José.
Fernández viajará na sexta-feira a El Salvador para conhecer o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), a megaprisão de Bukele. O presidente salvadorenho participou em janeiro do lançamento das obras e seu governo colaborou com o projeto costarriquenho.
O Cacco, composto por cinco pavilhões com 17 celas de 90 metros quadrados e capacidade para 60 presos cada uma, poderá abrigar 5.100 detentos. Os presos terão apenas uma hora diária de exposição ao sol, não poderão ter objetos pessoais, usarão uniformes laranja e estarão submetidos a um regime de visitas altamente restritivo.
Opositores e ativistas sociais criticam o fato de a Costa Rica, internacionalmente reconhecida pelo respeito aos direitos humanos, adotar um modelo de segurança semelhante ao de El Salvador, que, segundo um grupo de especialistas da ONU, resultou em crimes contra a humanidade.
A guerra contra as gangues promovida por Bukele é sustentada por um regime de exceção que permite detenções sem ordem judicial. Em quatro anos, cerca de 93 mil pessoas foram presas.
De acordo com a organização humanitária salvadorenha Socorro Jurídico, um terço dos detidos é inocente e mais de 500 pessoas morreram sob custódia do Estado.
AFP
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Fonte: Carta Capital