Lula diz que relação com Trump é ‘civilizada’ e comenta negociações sobre tarifaço dos EUA
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, nesta quinta-feira (15), em entrevista à Globo, sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as negociações entre os dois países em torno do tarifaço imposto pelo governo estadunidense.
“Minha relação com o Trump foi a relação mais civilizada que ele já teve com outro presidente da República”, declarou Lula, ao avaliar o diálogo com o presidente dos Estados Unidos. Segundo o brasileiro, o contato entre os dois começou em um ambiente de tensão, mas evoluiu para conversas diretas sobre as divergências entre os governos.
“Ela começou muito tensa, eu disse a Trump que era importante que dois homens de 80 anos tivessem juízo e se entendessem”, relatou o presidente. Lula afirmou que procurou convencer Trump de que as diferenças políticas e comerciais não deveriam comprometer as relações entre as duas nações.
“Não era possível que a gente ficasse passando desavenças entre as duas maiores democracias do Ocidente”, disse Lula, ao explicar o argumento apresentado ao presidente estadunidense durante as conversas.
O presidente brasileiro afirmou que Trump concordou com a necessidade de diálogo. De acordo com Lula, os dois tiveram três reuniões, sendo a última uma conversa telefônica de quatro horas e meia. Na ocasião, o brasileiro disse ter ligado para reclamar do comportamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Lula prevê acordo nas negociações comerciais
Lula afirmou que as negociações entre Brasília e Washington continuam em andamento e citou a participação de integrantes do governo brasileiro nas conversas realizadas nesta semana.
“Nós (EUA e Brasil) estamos negociando. Esta semana mesmo, o meu ministro da Indústria e meu ministro das Relações Exteriores estiveram negociando com os EUA. Acho que vamos chegar a um acordo”, declarou.
A expectativa de entendimento ocorre em meio às divergências comerciais provocadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Lula afirmou que o Brasil mantém a disposição de negociar e não pretende adotar, neste momento, medidas de retaliação contra Washington.
“Não fizemos a reciprocidade, não quero fazer, quero negociar. Mas se for necessário fazer, faremos. E eu acho que eles vão ter problemas conosco. Por quê? Temos coisas de que eles precisam, mais do que coisas de que eu preciso deles”, afirmou o presidente.
A declaração indica que o governo brasileiro mantém a possibilidade de responder às medidas estadunidenses caso as negociações não resultem em um entendimento. Lula, porém, reiterou que sua preferência é resolver as divergências pela via diplomática e comercial.
Presidente cita avanço do comércio com outros países
Ao comentar os efeitos das medidas comerciais dos Estados Unidos sobre o Brasil, Lula afirmou que a redução das trocas com os estadunidenses foi compensada pelo crescimento das relações comerciais brasileiras com outros parceiros internacionais.
“Embora tenhamos perdido 9% na relação comercial com os EUA, crescemos 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha e 13% com o Vietnã. Outra vez, nós batemos recordes de superávit comercial. Quem deve estar preocupado conosco são os EUA”, declarou.
Fonte: Brasil 247