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Por Flavia CoimbraSUMAÚMA

Uma pausa para desesquecer que esquece do milagre

Qual o remédio para quem tem febre de exploração?
Qual o médico que trata a dor de desmatamento?
Quem pega urbanização sente o quê?

Depois de ‘mandar à merda esta vida de merda’, o autor de ‘Macunaíma’ navegou os rios Amazonas e Madeira ‘até dizer chega’. No diário de viagem transformado em livro, o sentimento transborda e a Natureza arrebata

Uakyrê Braz

Artistas indígenas de diferentes etnias celebram a vida, a força, a resistência e a sabedoria do grande diplomata dos povos

Para compor esta galeria de arte em homenagem ao cacique Raoni, SUMAÚMA procurou artistas indígenas e pediu a essas pessoas que enviassem um retrato da liderança – nosso desejo era que os trabalhos expressassem a linguagem artística de cada uma delas, sua identidade. Para completar o conjunto das obras, as artistas e os artistas fizeram também um comentário, por escrito, sobre Raoni Mẽtyktire.

Horopakó Desana
Raoni, em prontidão, garantindo todas as visões de mundo 

Ilustração digital
Etnia: Desana

“Raoni, além de ser uma liderança de reconhecimento internacional, representa para mim a força de um espírito que resiste e luta por algo maior. Ele simboliza a sabedoria, a coragem e a persistência de quem enxerga além do presente, defendendo um futuro possível para a humanidade e para a Terra. Mesmo diante das tantas ganâncias e opressões, ele não recua. Que possamos carregar um pouco da sua grandeza, da sua resistência e da sua luta pela existência deste mundo e das gerações que ainda virão.”

Thaís Desana

RAONI YUHKɄ KAHTISE (Raoni Vida-Árvore)

Técnica: caneta nanquim e pincel atômico sobre tela

Etnia: Desana

“O grande mestre Raoni tem inspirado gerações com sua resiliência na luta pela proteção de territórios e da cultura indígena. Na luta visível da política neste país Raoni representa a voz de todas as lideranças indígenas que estão fervorosamente cuidando de seu povo, de suas aldeias e de suas comunidades dentro deste vasto território brasileiro. Enquanto uma voz da juventude do povo Desana e tradutora do mundo cosmológico indígena através da arte, me sinto honrada de viver no mesmo cosmo deste grande cacique, pois me lembra  da força que os grandes mestres e mestras, avós e avôs do meu povo, também carregam, e isso é orgulho e impulso para grandes saltos na vida visível e não visível. Anū [saudação de agradecimento em língua Tukano] aos avós, anū, Raoni.”

Adriano Teixeira

A Floresta tem guardiões

Técnica: ilustração e colagem digital

Etnias: Mura e Tupinambá

“Raoni é mais do que uma liderança indígena ou um símbolo de resistência. Quando escuto Raoni, não vejo apenas uma grande liderança. Vejo alguém que transformou sua própria existência em um compromisso com a Floresta e com os povos indígenas. Em um mundo que só visa o capital, que insiste em enxergar a Natureza como mercadoria, ele nos ensina que ela é casa e é ancestralidade. Para mim, Raoni representa força, sabedoria e esperança. Seu legado vai muito além de uma pessoa. Raoni prova que, enquanto houver quem defenda a Floresta, ainda haverá esperança.”

Mavi Morais

Cacique Raoni Mẽtyktire

Técnica: colagem digital

Etnia: Kariri-Sapuyá

“Cacique Raoni representa a força do movimento indígena que atravessa gerações. Sua existência e resistência carregam um significado que ultrapassa não apenas uma identidade individual, mas sim coletiva. Em seu espírito habitam muitos ancestrais, conectando o presente com o passado ancestral.”

Frank Baniwa

Obra sem título

Técnica: aquarela

Etnia: Baniwa

“A maioria das lideranças que lutam em prol dos direitos dos povos indígenas carrega um olhar do cacique Raoni, que não mediu barreiras para poder chegar onde chegou. Acho que isso traz para a gente um pensamento, uma reflexão de que ‘eu quero ter o olhar do Raoni, eu quero ter o pensamento do cacique Raoni’. Então, acho que todo o trabalho que ele fez é um legado que ele construiu durante o seu trajeto, de mostrar que a Floresta, a cultura, o costume dos povos indígenas, os direitos dos povos indígenas devem ser, sim, reconhecidos como uma diversidade de cultura que existe aqui no Brasil. Então, eu trago isso comigo.”

Uakyrê Braz

Uakyrê Braz

A Natureza que abraça Raoni

Técnica: técnica mista (lápis de cor, aquarela e caneta hidrográfica sobre papel Canson)

Etnias: Pankararu e Pataxó

“Raoni é uma grande referência para os povos indígenas na defesa dos direitos da Natureza e das comunidades que a protegem. Desde a minha infância, sempre ouvi falar de sua trajetória e de sua luta. Sua forma de se expressar é marcada pela sinceridade e pelo profundo respeito à Natureza. É evidente o quanto ele se sensibiliza diante dos impactos causados nos territórios, nas matas, nos rios e nos animais. Ele demonstra um compromisso genuíno e ao mesmo tempo tem a força de um vento. E assim leva a voz que semeia o mundo, uma grande inspiração para nós, jovens.”

Ilustrações:  Horopakó Desana, Uakyrê Braz, Thaís Desana, Frank Baniwa, Mavi Morais, Adriano Teixeira
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Plínio Lopes
Revisão ortográfica (português): Valquíria Della Pozza
Tradução para o castelhano: Meritxell Almarza
Tradução para o inglês: Maria Jacqueline Evans
Edição em inglês: Jonathan Watts
Montagem de página e acabamento: Flávia Coimbra
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum

Impactado aos 18 anos por uma entrevista de Raoni na França, o ambientalista Gert-Peter Bruch criou uma ONG a pedido do cacique e participou ativamente das turnês europeias do líder brasileiro

A princesa Esmeralda da Bélgica, ambientalista e ativista pelos direitos humanos, dá seu testemunho sobre o encontro transformador entre dois líderes de mundos distintos

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Em imagens, momentos em defesa da Natureza de uma das lideranças indígenas mais importantes do Brasil e do mundo

Xamã do povo Yanomami relembra convívio com cacique Kayapó e diz que batalhas em defesa da Floresta continuam

Um veterano ativista pela vida marinha reflete sobre a importância das florestas e de seu mais célebre defensor, cacique Raoni Mẽtyktire

Em uma biografia desenhada, a história da principal liderança indígena no Brasil

Sobrevivente do ‘empreendimento de ódio’ chamado Brasil, o grande líder indígena atravessa quase um século de luta pela brasilidade

Lucia Alberta Baré, atual presidenta da Funai, reflete sobre a liderança do cacique, que esteve em sua posse em abril de 2026

Beto Marubo, do Vale do Javari, conta como os encontros com o cacique o inspiraram na luta e lembra o dia em que, junto a outras lideranças, sugeriu a Lula que subisse a rampa com Raoni para a posse de seu terceiro mandato como presidente

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Fonte: SUMAÚMA

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