Valeu, Chaer, obrigado por nossa amizade!
Por Marcelo Auler — Brasil 247
A morte de Márcio Chaer, 71 anos, criador, editor e diretor da revista eletrônica “Consultor Jurídico”, neste sábado, 03/10, da forma estúpida como ocorreu – infarto enquanto corria atrás de um ladrão de celular – é algo chocante, jamais imaginável. Perdi não apenas um colega, mas um grande amigo. De décadas.
Na minha memória, e diante de alguns recortes de jornais antigos, constato que foram mais de 40 anos de convivência, embora jamais em uma mesma redação. O início provavelmente foi em 1983, quando eu ainda estava na Folha, em São Paulo, e ele, muito provavelmente, trabalhava para uma revista. Esbarramo-nos buscando informações sobre Alencar Mesquita Macena, um falso professor de economia que enganou até a Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.
Em 1986, eu retornei ao Rio; depois, Chaer foi para Brasília. Voltamos a cruzar nossas carreiras já na Revista Eletrônica Consultor Jurídico, criada por ele, quando publicou diversos textos que fiz como freelancer.
Foram incontáveis reportagens, das mais variadas, entre 2004 e 2014, sempre girando em torno do Judiciário. Através da revista, ele também me respaldou com seu apoio quando começaram as ações judiciais que a famigerada turma da República de Curitiba passou a mover contra mim.
Somente a delegada Erika Mialik Marena – aquela que provocou o suicídio do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, em outubro de 2017 – impetrou três ações contra mim por conta das reportagens denunciando as irregularidades na condução da chamada “Operação Lava Jato”. Sua irmã, a advogada Márcia Eveline Marena, patrocinou também ações em nome de outros dois delegados federais, Mauricio Moscardi Grilo e Eduardo Mauat da Silva. Perderam todas, pois comprovei todas as informações veiculadas e parte da farsa da Lava Jato.
Chaer, assim como alguns outros poucos colegas, sempre me apoiou e defendeu-me como pôde junto às suas fontes no Judiciário. Jamais me negou apoio, mesmo depois de nossas vidas profissionais nos distanciarem. Vez por outra nos falávamos, mas fazia tempo que não tinha notícias de mim ou dele, até o sábado passado, quando nos deixou de vez. Que descanse em paz e, mais uma vez, obrigado pela sua amizade.
Fonte: Brasil 247