Quem são os veteranos da política que não se reelegeram nas eleições de 2026
Por Luísa Carvalho — JOTA
As eleições de 2026 deixaram de fora da próxima legislatura uma geração de políticos que acumulou décadas de atuação em Brasília e nos estados. Benedita da Silva (PT-RJ), Renan Calheiros (MDB-AL), Esperidião Amin (PP-SC), Rui Falcão (PT-SP), Leci Brandão (PCdoB-SP) e Chico Alencar (Psol-RJ) estão entre os nomes que chegam a 2027 sem mandato após serem derrotados nas urnas.
O caso da deputada federal Benedita da Silva, de 84 anos, é um dos mais emblemáticos. Primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado, a petista também foi vereadora, deputada constituinte, vice-governadora, governadora do Rio de Janeiro e ministra. Com mais de 40 anos de vida pública, tentou retornar ao Senado pelo Rio de Janeiro, mas terminou em terceiro, com 20,22% dos votos, atrás dos dois candidatos eleitos pelo PL.
Em Alagoas, Renan Calheiros, de 71 anos, perdeu a tentativa de conquistar o quinto mandato consecutivo no Senado. No final do ano, ele deixará a Casa depois de 32 anos como senador. Foi presidente do Senado por quatro vezes, tentou conquistar o quinto mandato, mas terminou em terceiro em Alagoas, atrás do deputado federal Arthur Lira (PP), seu principal rival político, e Marina JHC, aliada do ex-presidente da Câmara. Antes de chegar ao Senado, Renan Calheiros também foi deputado federal.
No Senado, outro nome de longa trajetória que ficou pelo caminho foi o de Esperidião Amin. Aos 78 anos, o catarinense perdeu a disputa pela reeleição. Ex-prefeito de Florianópolis, governador e deputado federal, Amin acumula mais de cinco décadas de vida pública.
O movimento ocorre em meio a uma forte renovação do Senado: 40 das 54 cadeiras em disputa foram trocadas, o equivalente a 74% das vagas renovadas. Entre os 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas 14 conseguiram permanecer na Casa.
Em São Paulo, nomes de uma geração histórica do PT também não tiveram sucesso nas urnas. Aos 82 anos, Rui Falcão não conseguiu renovar o mandato de deputado federal e ficou na primeira suplência, com 106,4 mil votos. Ex-presidente nacional do partido, o petista é um dos aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-ministro José Dirceu, aliado de primeira ordem de Lula, tentou retornar à Câmara aos 80 anos, mas terminou na sexta suplência, com 78,4 mil votos. Vicentinho, 70, liderança sindical histórica, ex-presidente da CUT, e deputado federal por seis legislaturas, também ficou fora.
Aos 82 anos, a sambista Leci Brandão (PCdoB) não conseguiu o quinto mandato consecutivo após 16 anos na Casa. Maria Lúcia Amary (PSD), de 75 anos, também ficou de fora depois de seis mandatos consecutivos desde 2003.
No Rio de Janeiro, Chico Alencar (Psol), de 76 anos, também não conseguiu retornar à Câmara. Uma das figuras históricas da esquerda carioca, o deputado estava na Casa desde 2003 e terminou na segunda suplência do partido, com 40,2 mil votos. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Carlos Minc (PSB), de 75 anos, não obteve votos suficientes para voltar ao Legislativo estadual em 2027.
As urnas também impuseram derrotas a políticos que, embora mais jovens, já carregam décadas de exposição nacional. É o caso de Aécio Neves (PSDB-MG), de 66 anos, Ciro Gomes (PSDB-CE), de 68, e Marina Silva (Rede-SP), também de 68.
Aécio ficou fora da disputa pelo Senado em Minas Gerais e, pela primeira vez em quase quatro décadas, chegará a uma legislatura sem mandato. Ex-governador, senador, deputado constituinte, presidente da Câmara e candidato à Presidência em 2014, ele ainda tem idade para uma nova disputa, mas uma eventual tentativa em 2030 ocorreria aos 70 anos.
Marina, ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência em três ocasiões, também não conseguiu voltar ao Senado por São Paulo. Ciro Gomes, por sua vez, perdeu novamente a disputa pelo governo do Ceará. Ex-prefeito de Fortaleza, governador, ministro e candidato presidencial em quatro eleições, ele chegaria aos 72 anos em uma eventual disputa em 2030.
Fonte: JOTA