TST diz que greve dos Correios não é abusiva e determina compensação dos dias parados
Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Por Cristiane Gercina e João Pimentel
(Folhapress) – O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que a greve dos Correios não é abusiva e determinou o retorno imediato ao trabalho nesta sexta-feira (25). A decisão foi tomada em julgamento na tarde desta quinta (24), na Seção de Dissídios Coletivos.
Os ministros julgavam o pedido de dissídio coletivo ajuizado pela entidade após os empregados iniciarem paralisação em 10 de setembro. O principal impasse é o plano de saúde da categoria. O tribunal chegou a conceder liminar determinando 80% do funcionamento, o que não foi cumprido.
A ministra relatora Maria de Nazaré Medeiros Rocha votou pela confirmação da data-base da categoria em 1º de agosto de 2026, pela não abusividade do movimento grevista e autorizou a compensação dos dias parados.
Os Correios pediam a abusividade da greve e multa de R$ 100 mil para as entidades representativas dos profissionais. “Declaro a não abusividade do movimento grevista e já nesta linha declarar a compensação dos dias parados”, disse o ministro presidente do TST ao fim do julgamento.
Julgamento
O julgamento havia começado na segunda (21), mas como os Correios apresentaram novos documentos e novo pedido, o ministro presidente do TST e da seção de dissídios, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, decidiu adiar para esta quinta.
Na ocasião, Maria de Nazaré leu seu relatório e negou pedidos feitos pela entidade representativa dos trabalhadores que não tinham correspondência com a proposta da empresa e citou, entre eles, o vale-cultura e adicional de complexidade -bônus para funcionários que exercem funções de liderança.
A abusividade da greve foi o ponto de debate naquele dia. A ministra Maria Cristina Peduzzi divergiu da relatora. Para ela, apesar de ter ocorrido negociação prévia antes da paralisação, os funcionários desrespeitaram a decisão liminar da corte que os obrigava a manter efetivo de 80%.
Peduzzi narrou, então, manifestações que bloquearam o acesso a agências. “Flagrante descumprimento a decisão da presidência”, disse. A relatora defendeu sua proposta.
“Eu voto pela declaração da não abusividade da greve e, portanto, indefiro a multa de R$ 100 mil”, disse Maria de Nazaré na sessão desta quinta, reforçando mais uma vez seu posicionamento.
A ministra listou uma série de pedidos feitos pelos trabalhadores com igualdade entre homens e mulheres, respeito à cor e raça, direitos a mulheres, a mães, licença-maternidade, não a racismo e assédio, e outros pontos ligados à saúde e segurança do trabalho, e deu aval a essas solicitações.
Na sessão de segunda, o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho propôs que a greve fosse suspensa, considerando que a decisão já está com a Justiça. Vieira de Mello Filho, porém, negou o pedido. “Eu não tenho condição de pedir aos sindicatos que suspendam ou não”, disse Mello Filho.
De acordo com liderança sindical ouvida pela reportagem, a tendência é que a greve seja mantida.
O TST deverá analisar a legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores dos Correios. O principal ponto de divergência nas negociações é o plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.
Houve ainda discordância sobre como será o desconto da contribuição assistencial. O ministro Ives Gandra pedia que houvesse ampla forma de discordar do pagamento, mas a ministra relatora afirmou que o tema não está pacificado, pois a forma ainda será julgada no TST e no STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente do TST, ministro Vireira de Mello, interferiu para defender o ponto da vista da ministra Maria de Nazaré, que, para ele, teria detalhado de forma correta em seu voto e relatório, pois não há como determinar a forma de oposição ao pagamento da contribuição, já que o tema ainda deverá ser definido pela Justiça.
A discordância era se se manteria o termo filiados e não filiados podem divergir da contribuição. E assim permaneceu, porque já havia sido definido em convenção anterior.
A ministra Maria Cristina manteve o voto divergente. Ela entende que houve abusividade e votou por pagamento de multa de desconto dos dias parados.
Abusividade da greve
Além da ministra Maria Cristina, o ministro Ives Gandra votou pela abusividade e por aplicar multa, mas decidiu que os trabalhadores devem compensar os dias parados. Com isso, Maria Cristina mudou a posição e pediu que se compensasse os dias, mas seguiu com o posicionamento de abuso.
O ministro Caputo Bastos votou pela abusividade e pela compensação. O ministro Maurício Godinho e o ministro José Roberto Freire Pimenta votaram com a relatora, porque consideraram que não houve abuso, já que houve questões pontuais relativas ao não cumprimento da liminar.
“A greve é a resistência que o trabalhador pode fazer para sensibilizar a empresa”, disse o ministro Alexandre Agra, ao votar com o mesmo posicionamento da relatora.
O presidente do TST também não reconheceu a abusividade da greve. “Um ou outro interdito não quer dizer que houve o bloqueio efetivo”, disse ele sobre protestos em agências. “Isso não quer dizer que descumpriram a decisão que proferi.”
Informações em primeira mão! Siga o canal do ICL Notícias no WhatsApp
Acesso total a mais de 300 cursos, materiais e séries! Seja Membro ICL
Siga e acompanhe as atualizações do ICL Notícias também pelo Google News
Relacionados
Correios suspendem empréstimo de R$ 20 bilhões devido ao alto custo dos juros
Bancos foram alertados da suspensão, e a empresa busca nova rodada de negociação com as instituições
Moradores de ilha no Rio de Janeiro lutam para manter agência de Correios operante
População da ilha de Paquetá sofre há mais de um mês sem os serviços da única agência de Correios do bairro
INSS: agências dos Correios vão atender vítimas de fraudes a partir do dia 30
Medida começa no dia 30 de maio
Carregar Comentários
Fonte: ICL Notícias




