Trump amplia ingerência no Brasil e injeta US$ 1 milhão contra o STF

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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A medida se soma a sanções, tarifas, pressão sobre o Judiciário e atuação de trumpistas em favor de pautas defendidas pelo bolsonarismo

O governo de Donald Trump destinou 1 milhão de dólares para financiar um projeto voltado a grupos brasileiros que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal. A revelação foi feita pelo jornal britânico The Guardian , nesta quinta-feira 1º,  e ocorre a apenas três dias do primeiro turno das eleições . O dinheiro faz parte de um pacote de 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que passou a financiar iniciativas ligadas a pautas conservadoras e de direita em diferentes países.

Segundo o Guardian , o programa destinado ao Brasil se chama “ Countering Lawfare and Censorship in Brazil ” – em tradução livre, “Combatendo a guerra jurídica e a censura no Brasil”. O projeto pretende financiar organizações da sociedade civil que se opõem ao que o documento norte-americano classifica como excesso de atuação judicial e censura por parte do STF . A reportagem afirma ainda que a medida está inserida em uma mudança mais ampla na destinação do fundo, que passou a contemplar temas como anticomunismo, imigração, proteção de cristãos e oposição à “ideologia de gênero”.

A revelação acrescenta um novo capítulo à relação cada vez mais direta entre a agenda de Trump e a política brasileira. O próprio Guardian lembra que o governo dos Estados Unidos sancionou o ministro Alexandre de Moraes em 2025, depois de uma campanha de pressão conduzida por Eduardo Bolsonaro . Naquele ano, Trump também passou a usar instrumentos comerciais e diplomáticos para pressionar o Brasil em razão do processo contra Jair Bolsonaro (PL).

A sequência de episódios começou a ganhar dimensão internacional em julho de 2025. Em carta enviada ao presidente Lula (PT), Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou explicitamente a medida ao tratamento dado a Bolsonaro, então réu no STF. Na mesma correspondência, afirmou que o ex-presidente era vítima de uma “ caça às bruxas ” e defendeu o encerramento do processo.

Dias depois, o governo norte-americano suspendeu os vistos de oito ministros do STF – Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes – além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em 30 de julho, Moraes foi alvo da Lei Magnitsky , uma sanção financeira que restringe transações e ativos sob jurisdição norte-americana.

Em setembro de 2025, o governo Trump também revogou o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias , e anunciou que outras autoridades brasileiras seriam atingidas. Em setembro deste ano, Eduardo Bolsonaro voltou a atuar diretamente em Washington para defender novas sanções contra ministros brasileiros. Ele e o empresário Paulo Figueiredo pediram ao governo Trump medidas contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Outro episódio foi a pressão para que Washington classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em maio de 2025, o governo brasileiro havia rejeitado uma solicitação norte-americana nesse sentido. Neste ano, depois de reuniões de Flávio e Eduardo Bolsonaro com autoridades norte-americanas , o governo Trump anunciou a inclusão das duas facções na lista de organizações terroristas estrangeiras. Flávio afirmou ter pedido expressamente ao republicano a adoção da medida.

A questão comercial também entrou diretamente na campanha presidencial. Em julho de 2026, o governo Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros , colocando novamente os Estados Unidos no centro da disputa eleitoral. Flávio foi a Washington e participou de audiência com o representante comercial norte-americano para tentar alterar ou adiar as medidas. Na ocasião, disse que o tarifaço não deveria ocorrer naquele momento porque a eleição brasileira estava próxima e a punição poderia dar a vitória a Lula.

Nesta semana, Eduardo Bolsonaro afirmou que, caso o irmão seja eleito, pretende promover uma “faxina” no Itamaraty. Disse ter mapeado diplomatas que, em sua avaliação, teriam sabotado o governo Jair Bolsonaro e falou em retaliações, citando especialmente o embaixador brasileiro na Espanha, Luiz Alberto Figueiredo Machado. Eduardo também mencionou a possibilidade de comandar o Ministério das Relações Exteriores ou assumir a embaixada em Washington .

A revelação do Guardian ocorre justamente quando a eleição entra em sua reta final. O primeiro turno está marcado para o próximo domingo 4. E, apesar de todas as controvérsias envolvendo a relação com os Estados Unidos, Flávio Bolsonaro chega aos últimos dias da campanha como um dos principais nomes da disputa .


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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