Trump ameaça União Europeia por aproximação com Canadá
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas elevadas ou restringir o comércio com a União Europeia caso o bloco avance com a proposta de criar uma associação inédita com o Canadá, apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo a Reuters, Trump declarou que poderá considerar a iniciativa um ato hostil, enquanto autoridades europeias rejeitaram a tentativa de interferência de Washington nas decisões políticas e geopolíticas do bloco.
“Se eles fizerem isso, se eu achar que é um ato hostil, vou impor tarifas muito altas ou interromper o comércio com a Europa em muitos produtos”, disse Trump a jornalistas durante o deslocamento para um evento na Carolina do Norte. O republicano também classificou a proposta de “ridícula”.
O presidente norte-americano condicionou a resposta dos Estados Unidos às intenções atribuídas à iniciativa europeia. “Se a intenção for boa, tudo bem. Se for má intenção, vamos impor tarifas muito altas à Europa”, acrescentou.
A Comissão Europeia contestou a interpretação de Trump e afirmou que o plano apresentado por von der Leyen não tem como objetivo confrontar Washington.
“Como a nossa presidente deixou claro ontem, o reforço proposto da nossa parceria com o Canadá não é contra ninguém, mas sim para a nossa força comum”, afirmou Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
A proposta ainda não foi detalhada e dependerá da aprovação dos países integrantes da União Europeia. Também não está claro se o formato sugerido por von der Leyen terá o apoio do governo canadense.
França rejeita poder de veto dos Estados Unidos
O ministro francês para os Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, reagiu às ameaças e sustentou que Washington não pode determinar as escolhas estratégicas do bloco europeu.
“Não cabe aos Estados Unidos — nem a ninguém mais — escolher a direção política e geopolítica dos europeus”, declarou Haddad à emissora pública Senat TV.
Von der Leyen apresentou a ideia na quarta-feira (16), durante o discurso anual sobre o Estado da União, em Estrasburgo, na França. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acompanhou a exposição.
A presidente da Comissão Europeia defendeu o aprofundamento dos vínculos entre aliados diante do que definiu como “um mundo abertamente hostil”. Caso seja aceita, a iniciativa poderá transformar o Canadá no primeiro membro associado da União Europeia.
A discussão ocorre em um cenário de maior instabilidade nas relações internacionais. A UE enfrenta as consequências da invasão russa da Ucrânia em suas fronteiras, enquanto europeus e canadenses acumulam atritos comerciais com os Estados Unidos e procuram responder ao crescimento da influência chinesa.
Canadá busca “aliança única” com europeus
No início de setembro, Carney afirmou que pretendia construir uma “aliança única” com a União Europeia. A aproximação ganhou força após a deterioração das relações entre Ottawa e Washington desde o retorno de Trump à Casa Branca, acompanhada pela imposição de tarifas sobre dezenas de bilhões de dólares em transações comerciais entre os dois países.
Carney tem discurso previsto no Parlamento Europeu nesta quinta-feira (17), às 11h30 no horário local, 9h30 pelo horário de Greenwich.
Apesar da defesa pública feita por von der Leyen, a proposta provocou dúvidas entre diplomatas europeus. Um deles afirmou que “ninguém realmente sabe o que isso significa” e relatou preocupações de que a presidente da Comissão Europeia “esteja prometendo demais e não consiga cumprir”.
Outro diplomata classificou a iniciativa como “uma proposta infeliz, que nunca foi discutida com os Estados-membros”. A União Europeia tem historicamente resistido à criação de alianças flexíveis sem um estatuto jurídico claramente definido.
Um terceiro representante europeu avaliou que a resposta de Trump revela mais sobre a visão do presidente norte-americano acerca das relações internacionais do que sobre o conteúdo da proposta.
“Se isso é descrito como um ato hostil, sugere que as parcerias são um jogo de soma zero, no qual uma cooperação mais estreita com um lado significa a perda da liberdade soberana de escolha para outro”, afirmou. “E também indica que os Estados Unidos veem o Canadá como parte de sua esfera de influência, e não como um ator independente.”
Outro diplomata procurou minimizar a ameaça feita pela Casa Branca: “É bom que, nesse meio-tempo, tenhamos aprendido a não levar a sério todas as declarações do presidente Trump.”
Fonte: Brasil 247