Israel usa Inteligência Artificial para acelerar demolições na Cisjordânia ocupada
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – Israel usa ferramentas de inteligência artificial para acelerar demolições na Cisjordânia ocupada, segundo pesquisadores e defensores dos direitos humanos ouvidos em reportagens citadas pela Al Jazeera. Em meio à expansão da vigilância sobre territórios palestinos, colonos israelenses também incendiaram propriedades e áreas de cultivo na aldeia de Burqa, a leste de Ramallah.
De acordo com a Al Jazeera, a tecnologia é empregada para monitorar grandes extensões de terra, identificar alterações em construções e reunir informações posteriormente utilizadas pelas autoridades israelenses como justificativa para ordens de demolição e deslocamentos forçados.
Uma das ferramentas citadas é a ImiSight, desenvolvida pela fabricante israelense de armamentos Rafael. O sistema permite comparar imagens de uma mesma área e detectar mudanças em residências, instalações agrícolas e outras estruturas palestinas.
A informação foi divulgada pelo veículo turco PalDigital, que se baseou em relatos de ativistas de direitos humanos e reportagens da imprensa israelense. Segundo a publicação, a tecnologia amplia a capacidade de Israel de fiscalizar propriedades sem depender exclusivamente de inspeções realizadas presencialmente.
O uso desses sistemas reforça a preocupação de organizações que acompanham a ocupação israelense. Para os ativistas, a automatização da vigilância territorial pode acelerar processos administrativos que resultam na destruição de imóveis e na retirada de famílias palestinas das áreas onde vivem.
Tecnologia foi aplicada inicialmente no deserto de Naqab
Antes de ser empregada na Cisjordânia ocupada, a ImiSight teria sido utilizada por Israel no deserto de Naqab, também conhecido como Neguev, para monitorar comunidades beduínas palestinas com cidadania israelense.
Muitos beduínos vivem em aldeias que não são reconhecidas pelo governo de Israel. Nessas localidades, as autoridades concedem poucas licenças de construção, o que deixa casas e instalações comunitárias permanentemente sujeitas a ordens de demolição.
Ativistas denunciam que essa política tem caráter discriminatório e busca deslocar as comunidades beduínas para abrir espaço à implantação ou ampliação de assentamentos judaicos.
A adoção de inteligência artificial na Cisjordânia integra uma estratégia mais ampla de utilização da tecnologia nas operações israelenses. Na Faixa de Gaza, sistemas de IA já foram empregados na seleção de possíveis alvos de bombardeios, segundo investigações citadas pela Al Jazeera.
Demolições e operações militares
As denúncias sobre o uso de inteligência artificial foram divulgadas enquanto forças israelenses iniciavam a demolição de estruturas residenciais e agrícolas na região de Wa’er al-Bayek, situada no município de Anata, no distrito de Jerusalém. A informação foi confirmada pela província de Jerusalém.
Ao mesmo tempo, tropas israelenses invadiram as cidades de Saida e Allar, ao norte de Tulkarem, segundo correspondentes da Al Jazeera na Cisjordânia. Não foram apresentados detalhes sobre os objetivos das incursões nem sobre possíveis confrontos nas duas localidades.
O Exército israelense também deteve o jornalista Alaa al-Rimawi em sua residência, na cidade de el-Bireh. A reportagem não informou quais acusações teriam sido apresentadas contra ele.
Na aldeia de Burqa, fontes locais relataram que colonos israelenses incendiaram propriedades pertencentes a palestinos e áreas de terra da comunidade. Os episódios se somam à escalada de invasões militares, detenções, demolições e ataques de colonos registrada na Cisjordânia ocupada.
Fonte: Brasil 247