Starlink pode entrar na telefonia móvel do Brasil, mas UBS não vê planos para rede própria

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – A SpaceX, empresa responsável pela Starlink, tem condições de ampliar sua presença no mercado brasileiro de telefonia móvel e eventualmente competir diretamente com Vivo, TIM e Claro, mas ainda não apresenta indícios concretos de que pretenda construir uma rede própria no país. A avaliação consta de um relatório do UBS BB divulgado nesta sexta-feira (9), que aponta as parcerias com operadoras existentes como o caminho mais provável para a expansão da companhia no curto prazo.

Os analistas Leonardo Olmos e Gustavo Farias consideram o Brasil um mercado estratégico para a empresa de Elon Musk. Segundo estimativas do banco, o país está entre os três maiores mercados mundiais da Starlink, condição que o coloca entre os principais candidatos a uma eventual expansão internacional de sua estratégia de telefonia móvel.

A possibilidade de uma concorrência direta ganhou força depois que a SpaceX anunciou, na quinta-feira (8), a aquisição de novas frequências de telecomunicações nos Estados Unidos. O movimento provocou uma reação negativa nas ações das operadoras americanas AT&T, Verizon e T-Mobile, que registraram quedas de aproximadamente 6% a 8%, segundo o UBS.

No mercado brasileiro, as ações da Telefônica Brasil, controladora da Vivo, e da TIM também recuavam nesta sexta-feira. Por volta das 16h, os papéis da Vivo caíam 4,34%, cotados a R$ 30,64, enquanto os da TIM apresentavam desvalorização de 4,98%, a R$ 17,95. O relatório do banco, entretanto, não estabelece uma relação direta entre essas perdas e os planos da SpaceX.

Parcerias com operadoras são o cenário mais provável

O UBS identificou iniciativas da SpaceX para ampliar o uso da tecnologia de conexão direta entre satélites e celulares, conhecida como direct-to-device (D2D). O sistema permite estabelecer comunicação por meio de satélites, reduzindo a dependência da cobertura convencional de antenas terrestres em determinadas situações.

Entre os movimentos identificados pelos analistas estão pedidos de direitos adicionais de utilização de frequências de satélite e discussões regulatórias relacionadas à oferta de serviços de voz, mensagens e internet.

O banco também menciona iniciativas envolvendo frequências utilizadas por uma operadora brasileira parceira e informações divulgadas pela imprensa especializada sobre possíveis negociações com a Vivo.

Essas movimentações indicam uma estratégia de colaboração com empresas de telecomunicações já estabelecidas, e não necessariamente a intenção de disputar clientes diretamente com elas.

Na avaliação dos analistas, o estágio atual da Starlink no Brasil se aproxima do modelo inicialmente adotado pela companhia em sua parceria com a T-Mobile nos Estados Unidos, antes da recente iniciativa de aquisição de frequências terrestres.

SpaceX poderia participar de leilões da Anatel

A aquisição de frequências móveis representa uma possibilidade para a SpaceX ampliar sua atuação no Brasil. Segundo o UBS, não existe um impedimento regulatório evidente para que a companhia participe de futuros leilões promovidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Para isso, precisaria operar por meio de uma pessoa jurídica brasileira e atender às exigências regulatórias aplicáveis aos demais participantes.

Uma das faixas consideradas estratégicas é a de 850 MHz, utilizada em sistemas de telefonia móvel por suas características de propagação de sinal. Essas frequências favorecem a cobertura em grandes áreas geográficas e a recepção em ambientes internos, onde a conexão exclusivamente por satélite apresenta limitações.

O interesse nessa faixa poderia seguir uma lógica semelhante à operação recentemente anunciada nos Estados Unidos. No mercado americano, a SpaceX adquiriu mais 14 MHz de espectro na faixa de 800 MHz, ampliando seus recursos para desenvolver serviços móveis.

A disponibilidade de frequências, isoladamente, não garantiria a implantação de uma operadora independente no Brasil. O UBS observa que a SpaceX também precisaria obter outras faixas de espectro para suportar o tráfego de dados e investir em infraestrutura terrestre.

Essas necessidades tornam uma eventual operação própria mais complexa do que a simples expansão dos serviços de conectividade via satélite já oferecidos pela Starlink.

Banco não identifica preparação para operação independente

Apesar do potencial de expansão, o UBS afirma não ter encontrado evidências de que a SpaceX esteja preparando uma entrada direta no mercado brasileiro de telefonia móvel.

Os analistas não identificaram manifestações formais de interesse em um futuro leilão da faixa de 850 MHz, solicitações de frequências móveis terrestres ou anúncios de investimentos para construir uma rede celular própria.

Para o banco, esses movimentos seriam os principais indicadores de uma mudança na estratégia da companhia, com a possibilidade de passar da condição de fornecedora de conectividade via satélite para concorrente direta das operadoras tradicionais.

Até o momento, as iniciativas identificadas apontam para o desenvolvimento da comunicação entre satélites e dispositivos móveis em colaboração com empresas já presentes no mercado brasileiro.

Assim, embora a expansão da SpaceX nos Estados Unidos indique uma nova direção para seus negócios de telecomunicações, o UBS considera que ainda não existem elementos suficientes para concluir que a Starlink pretende reproduzir esse modelo no Brasil.

Fonte: Brasil 247

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