Segundo tempo 5 X 0: que ninguém recue
Por Ricardo Mezavila — Brasil 247
Em 1966, no Rio de Janeiro, nos palcos do Rui Bar Bossa, em Copacabana, e do Teatro Princesa Isabel, Taiguara, Claudete Soares e o Jongo Trio gravaram um disco ao vivo com um nome que parecia só festa: Primeiro Tempo 5×0.
A ideia era simples: o Brasil era o favorito na Copa e ia ganhar de todo mundo, fácil. O placar já estava dado, todo mundo achava que a vitória era certa antes mesmo de a bola rolar. Mas o Brasil foi eliminado cedo, e aquele 5×0 nunca passou de sonho.
Hoje, essa lição se repete nesta eleição. Passou o primeiro turno, e teve gente comemorando como se o jogo já tivesse acabado. Gritos de vitória garantida, de que tudo já estava decidido — só que não. O que parecia vantagem enorme mostrou-se bem menor do que diziam.
O primeiro turno foi só o começo, não é o resultado. E o povo não está calado. De norte a sul do país, estudantes saem às ruas, liderados pela UNE e pelas UBES. Manifestações espontâneas em capitais e cidades do interior — jovens que não aceitam que o futuro do Brasil seja decidido por quem quer acabar com a democracia.
Não é movimento de um dia, não é discurso de palco: é gente que sabe que a luta é de classe. Sabe que há empresários sem senso de humanidade, articulando com a campanha de Flávio Bolsonaro para retirar direitos dos trabalhadores, precarizar a saúde e desmantelar o ensino público.
O segundo turno é o jogo de verdade. Não existe placar imaginário, não existe vitória de mentira. No dia 25 de outubro, cada voto vale a nossa esperança. As ruas convocam os progressistas a caminharem juntos, em massa, a ponto de estremecer as bases de quem quer manter o povo submisso.
Nada está escrito. Nada está garantido. O futuro não está nas pesquisas — está nas urnas. Que ninguém falte. Que ninguém recue. O segundo tempo é nosso. O placar não está dado. Está em nossas mãos. Que a resistência e esperança de Taiguara caiam sobre Lula — para “que as crianças cantem livres”.
Fonte: Brasil 247