Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos
Por Seu Dinheiro — Seu Dinheiro

Quem anunciou o carro usado nos últimos meses e recebeu propostas abaixo do esperado já sabe: o comprador está mais exigente, e os números confirmam essa percepção. Os preços dos veículos usados continuam subindo, mas em marcha lenta. Quem esperava vender o carro por bem mais do que valia há alguns meses encontra um mercado que já não corre atrás de vendedor.
O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha os preços dos automóveis leves usados no país, subiu 0,36% no terceiro trimestre de 2026. É o menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025.
Para comparar, o índice havia avançado 1,27% no segundo trimestre deste ano e 2,04% no terceiro trimestre de 2025. Considerando apenas os terceiros trimestres, o resultado de 2026 empata com o de 2019, início da série histórica.
Vale lembrar que o IBV Auto usa a base de dados do banco BV e reflete um volume expressivo de transações reais. A ponderação considera o valor total das negociações (volume multiplicado por preço): quanto mais caro e mais negociado é um modelo e ano, maior seu peso na cesta. O ano de 2019 é a base histórica, com o indicador nacional fixado em 100.
Economia mais lenta, menos fôlego para o carro
O banco aponta como pano de fundo o crescimento mais lento da atividade econômica e a desaceleração da inflação, em um ambiente de menor demanda por bens de maior valor agregado, categoria em que o carro se encaixa.
No acumulado de 2026, o IBV Auto registra alta de 3,86%, abaixo dos 4,05% do mesmo período de 2025. Em 12 meses, a valorização é de 5,12%, o mesmo patamar de agosto.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, os dados confirmam uma mudança de ritmo.
“Após um período de fortes valorizações, a atividade mais moderada e a maior competição entre veículos novos tornam o cenário menos favorável a reajustes expressivos. O comportamento do IBV no trimestre aponta para uma dinâmica de preços mais equilibrada, com desaceleração gradual das altas dos últimos meses”, afirma.
O Brasil não anda na mesma velocidade
O levantamento também mostra que o mercado de casos usados não anda na mesma velocidade pelo Brasil. O índice mostra a variação trimestral por região:
- Nordeste: +0,69%, a maior alta
- Centro-Oeste: +0,56%
- Sul: +0,52%
- Sudeste: +0,03%, praticamente estável
- Norte: -0,19%, a única região com queda
A diferença é grande em relação ao segundo trimestre, quando todas as regiões tiveram alta superior a 1%.
Carros elétricos perdem mais valor
O levantamento também compara a desvalorização de carros de mesma idade e características comparáveis, por tipo de motor.
Entre os modelos lançados em 2023, os elétricos acumulam perda de quase 47% até setembro. Os híbridos desvalorizaram 27,89%, e os modelos a combustão comparáveis, 22,20%.
Segundo o banco, o movimento está relacionado à pressão dos preços dos modelos novos e ao aumento da concorrência no segmento.
Sinal de recuperação
Em setembro, o IBV Auto subiu 0,30%, depois de uma queda de 0,01% em agosto, o que indica alguma recuperação na margem. Os modelos que mais puxaram o índice para cima foram:
- Renault Sandero (+1,88%)
- Volkswagen Gol (+1,51%)
- Hyundai Creta (+1,39%)
Na ponta oposta, tiveram os maiores impactos negativos:
- Toyota Hilux SW4 (-1,60%)
- Honda HR-V (-1,19%)
- Volkswagen Polo (-0,97%)
Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, o comportamento do índice reflete as transformações no mercado automotivo.
“Os resultados de setembro e do terceiro trimestre reforçam a desaceleração dos preços dos usados. A maior oferta e concorrência entre os novos reduz a pressão sobre os usados e aponta para uma normalização gradual do mercado, apesar das diferenças entre segmentos e regiões”, afirma.
The post Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos appeared first on Seu Dinheiro.
Fonte: Seu Dinheiro