Lula mira 30 milhões que não votaram no primeiro turno e cobra campanha para recuperar eleitores
Por Redação — Brasil de Fato
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta segunda-feira (5), durante reunião da coordenação de sua campanha, que um dos principais desafios para o segundo turno será mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33,4 milhões de eleitores não votaram no domingo (4), o equivalente a 21,08% do eleitorado.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança da disputa presidencial, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em segundo, com 45,16%. Os dois se enfrentam no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“São 30 milhões de pessoas que nós temos que trabalhar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos?”, questionou Lula durante a reunião.
Para o presidente, a campanha precisa assumir a responsabilidade por reconquistar o interesse desse eleitorado. “O que nós temos é que tentar convencer, porque 30 milhões de seres humanos não foram votar. Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou o petista.
Lula também disse que a campanha não deve concentrar a análise do resultado do primeiro turno em fatores externos ou buscar culpados para o desempenho eleitoral. “A gente não tem que ficar procurando defeito, que os outros podem ter nos prejudicado. Não. Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer. Em 20 dias tem que fazer mais rápido e mais bem feito”, ressaltou.
O presidente defendeu ainda que não há motivo para considerar a eleição perdida e disse estar convencido de que pode ser reeleito. “Eu estou convencido de que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão econômica, social, política. Não há nenhuma razão”, declarou.
Durante a reunião, Lula lembrou a eleição presidencial de 2006, quando disputou o segundo turno contra Geraldo Alckmin. Segundo o presidente, ele ampliou sua votação em 12 milhões de votos entre os dois turnos, enquanto o adversário perdeu cerca de 4 milhões.
“Eu já fui para o segundo turno em quase todas as eleições. Em 2006, eu fui para o segundo turno com Alckmin e, no segundo turno, aconteceu um fenômeno: eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu 4 milhões de votos”, afirmou.
Lula ponderou, no entanto, que o cenário atual é diferente. “Obviamente que nós estamos vivendo um outro momento, uma outra história”, disse.
A abstenção registrada no primeiro turno de 2026 foi a maior em uma eleição geral desde 1998. Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, 125,2 milhões compareceram às urnas. Os 33,4 milhões que não votaram no primeiro turno continuam aptos a participar do segundo, desde que estejam com o título regular.
Ao falar sobre a estratégia de campanha, Lula defendeu uma mudança para a segunda etapa da disputa. Para o presidente, a comparação direta com Flávio Bolsonaro (PL) deverá ocupar espaço central nos próximos 20 dias.
“São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente deveria estar colocando o ano inteiro”, afirmou. Lula disse ainda que pretende ampliar sua presença em debates, entrevistas de rádio, redes sociais e atividades de rua.
“Eu quero ganhar as eleições fazendo as mesmas coisas e fazendo mais coisas. Agora sim, agora é importante ter debate na televisão. Porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, disse.
O presidente também anunciou a intenção de participar de novos atos em estados onde a campanha teve forte mobilização no primeiro turno. Citou Ceará, Piauí, Bahia e São Paulo e afirmou que pretende ir ao Rio Grande do Norte para participar da campanha de Cadu Xavier (PT), que disputa o segundo turno pelo governo estadual.
Na reunião, Lula também apontou segurança pública, economia e reforma do Judiciário como temas que deverão ser explorados na campanha. Sobre segurança, defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada pelo governo ao Congresso para ampliar a participação da União no combate ao crime organizado.
Segundo Lula, o enfrentamento à criminalidade precisa combinar atuação policial, inteligência e políticas sociais. O presidente também defendeu uma nova reforma do Judiciário e disse que a campanha deverá discutir critérios para a escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a possibilidade de mandato para os integrantes da Corte.
Ao final da reunião, Lula pediu mobilização dos aliados e afirmou estar confiante na vitória. “Se preparem porque nós vamos ganhar as eleições, meu filho. Se preparem.”
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Fonte: Brasil de Fato