Preso, Milton Leite pode expor infiltração do PCC na prefeitura e no governo de São Paulo
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e uma das principais lideranças políticas da capital nas últimas décadas, foi preso nesta sexta-feira (18), após se entregar à polícia. Ele era alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para investigar a infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo e relações da organização criminosa com agentes públicos e políticos, na gestão do prefeito Ricardo Nunes. A investigação aponta Leite como “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de apurações por suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção.
A investigação afirma que o nome de Leite aparece em mensagens e áudios obtidos durante as apurações como interlocutor em questões relacionadas ao setor de transporte. A decisão judicial que autorizou sua prisão também menciona declarações de policiais militares segundo as quais ele seria o proprietário de fato da Transwolff.
A Operação Vectura Corrupta investiga a presença de representantes ou “laranjas” do PCC em 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital, segundo o Ministério Público. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentação de recursos do crime organizado, negociação de ônibus e financiamento de campanhas eleitorais.
A operação também levou à prisão de Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL, além de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo a investigação, Morgado teria recebido recursos ilícitos para financiamento de campanha. Levi é investigado por contatos com intermediários do PCC relacionados aos interesses da organização no setor de transportes.
Milton Leite construiu sua carreira política na zona sul de São Paulo. Entrou na Câmara Municipal, em 1997, foi reeleito seis vezes e presidiu a Casa por seis vezes. Manteve forte influência sobre o Legislativo municipal e foi um dos principais articuladores políticos da base de Ricardo Nunes na Câmara. Em 2024, como dirigente do União Brasil, participou da articulação do apoio do partido à reeleição do prefeito.
A relação política com Nunes se soma à proximidade mantida por Leite com o governador Tarcísio de Freitas. Em janeiro de 2024, durante as articulações para a privatização da Sabesp, Tarcísio chamou Leite de “lindão” em um evento na zona sul. Em agosto de 2026, poucas semanas antes da Operação Vectura Corrupta, o governador participou do lançamento das candidaturas dos dois filhos de Milton Leite.
A investigação atual é desdobramento de apurações anteriores sobre a atuação do PCC no transporte público paulista. A Transwolff foi alvo da Operação Fim da Linha, em 2024, e sofreu intervenção da Prefeitura de São Paulo. Na investigação atual, além da Transwolff, aparecem outras empresas do transporte coletivo e suspeitas de que a organização criminosa tenha ampliado sua presença no setor.
Durante as buscas relacionadas a Milton Leite, a Polícia Civil encontrou cerca de R$ 738 mil em dinheiro, entre reais e dólares, em um imóvel ligado a um ex-assessor do ex-vereador, em Sorocaba. A apreensão faz parte das diligências da operação.
A Prefeitura de São Paulo informou que acompanha a investigação e determinou a análise dos contratos e vínculos da empresa A2 Transportes, também citada na apuração. O município afirmou que colaborará com o Ministério Público e adotará medidas administrativas e judiciais caso sejam identificadas irregularidades.
Milton Leite nega as acusações e afirma que nunca teve participação na Transwolff nem qualquer relação com o PCC. A empresa também nega que ele tenha participado de seu quadro societário ou de sua gestão. As investigações seguem em andamento.
Fonte: Brasil 247