Premiado em Veneza, ‘Naza’ ganha data de estreia no Brasil enquanto diretores são ameaçados por Israel
Por Cine NINJA — Mídia NINJA
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Vencedor do Prêmio Especial do Júri, documentário investiga operações de vigilância e ataques remotos contra a população palestina em Gaza
Por Helô Alves
O documentário “Naza”, dirigido por Rachel Szor e Yuval Abraham, estreia nos cinemas brasileiros no dia 1º de outubro, distribuído pela Vitrine Filmes. O anúncio da data chega poucos dias depois de o filme vencer o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza — e de seus diretores se tornarem alvo de ameaças por parte do governo de Israel.
O ministro da Cultura israelense, Miki Zohar, afirmou no último domingo (13) que pretende solicitar a revogação da cidadania de Abraham e Szor. Em redes sociais, classificou o reconhecimento internacional do filme como “chocante” e acusou os diretores de prejudicarem a imagem do país. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também atacou a dupla, chamando-a de “vergonha e constrangimento para Israel” e defendendo que os dois deixem o país.
Resultado de uma investigação de três anos, “Naza” reúne depoimentos anônimos de 24 militares e integrantes da inteligência israelense envolvidos em operações de vigilância e ataques remotos contra a população palestina em Gaza. Filmado à noite nos telhados de Tel Aviv, o documentário revela o funcionamento interno de sistemas de mira baseados em inteligência artificial usados para identificar alvos — parte da estrutura que sustenta o extermínio sistemático de civis na região. Para proteger as fontes, rostos e vozes dos entrevistados foram alterados digitalmente.
O título do filme faz referência a “Nezek Agavi”, termo usado internamente pela inteligência israelense para estimar o número de civis que morreriam em um bombardeio.
Exibido na competição principal pelo Leão de Ouro, “Naza” recebeu uma ovação de pé de cerca de 25 minutos em sua estreia mundial em Veneza. Parte do público aplaudiu e exibiu bandeiras palestinas durante a recepção à obra.
Ao receber o prêmio, Yuval Abraham afirmou que os relatos reunidos no filme mostram um massacre sistêmico. “Não é um acidente, mas o resultado de uma estratégia deliberada”, disse o diretor, que também dedicou o prêmio a jornalistas palestinos mortos durante a cobertura do extermínio em Gaza, responsáveis, segundo ele, por tornar pública boa parte da informação que embasa o documentário.
A crítica internacional destacou a força do filme. Para o Hollywood Reporter, trata-se de uma obra que merece “entrar para o registro histórico” ao lado de “Shoah”, de Claude Lanzmann. Já a Time Out descreveu “Naza” como uma construção “precisa e absolutamente condenatória” das ações israelenses em Gaza.
Abraham e Szor integraram a equipe de “Sem Chão”, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2025. “Naza” foi produzido pelo jornal The Guardian e pela JW Films, com produção executiva de Jonathan Glazer, diretor de “A Zona de Interesse”, e se baseia em investigações publicadas entre 2023 e 2025 pela +972 Magazine, pelo Local Call e pelo próprio The Guardian.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) rejeitaram as denúncias apresentadas no filme e questionaram o uso de depoimentos anônimos, alegando que as identidades das fontes não poderiam ser verificadas.
Com informações de The Guardian, The Hollywood Reporter, IndieWire e Time Out.
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Fonte: Mídia NINJA