Dráuzio Varella convoca idosos para comparecer às urnas

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Por NINJAMídia NINJA

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Quase 17 milhões de eleitores têm 70 anos ou mais. Em 2022, quase 8 milhões não votaram no 2º turno; transporte, informação e etarismo pesam

Por Vinicius Francisco

“O voto de quem tem mais de 70 anos importa, e muito.” A frase aparece em uma das peças do Voto da Experiência, mobilização que tem Drauzio Varella entre seus participantes e chama atenção para uma parcela do eleitorado brasileiro que cresce, mas que ainda registra alta abstenção.

Nas eleições de 2026, quase 17 milhões de pessoas com mais de 70 anos estão aptas a votar. É mais de uma em cada dez do eleitorado brasileiro. Desde 2022, esse grupo cresceu 15,75%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir dos 70 anos, o voto é facultativo, ou seja, a pessoa pode votar, mas não é obrigada a comparecer às urnas.

O Voto da Experiência nasceu dentro do Movimento Voto 70+, iniciativa cívica e apartidária liderada pelo data8. Segundo Cléa Klouri, fundadora da organização, a campanha surgiu a partir de um dado que chamou a atenção da equipe.

“Enquanto o Brasil envelhece e a população mais velha ganha peso demográfico, milhões de brasileiros com mais de 70 anos estão deixando de participar das eleições.”

Em 2022, quase 8 milhões de eleitores dessa faixa etária ficaram fora do segundo turno. Apenas cerca de 45% compareceram às urnas, segundo dados divulgados pelo Senado.

“São pessoas que atravessaram diferentes momentos da história do país e acumularam uma enorme experiência de vida”, diz Cléa.

Ela reforça que a campanha não pretende orientar a escolha política desse público. “Nosso objetivo não é dizer em quem elas devem votar. É lembrar que, mesmo quando o voto se torna facultativo, o direito de escolher, opinar e participar continua existindo. A experiência também é uma forma de contribuição para a vida cívica do país.”

Uma análise do data8, feita a partir dos registros públicos do TSE, mostra que, no primeiro turno de 2022, a abstenção entre os eleitores 70+ ficou em torno de 60%. Entre as mulheres dessa faixa etária, chegou a aproximadamente 64%. Para Cléa, essa diferença merece atenção.

“As mulheres vivem mais e, consequentemente, tornam-se maioria nas faixas etárias mais avançadas. Portanto, quando temos uma abstenção tão elevada entre as mulheres 70+, estamos também diante de uma questão de representatividade.”

A alta abstenção entre os eleitores 70+ não tem uma única explicação. “Há questões muito concretas, como mobilidade, transporte e acessibilidade. Mas existe também uma barreira menos visível: o etarismo e a sensação de que, depois de determinada idade, a opinião daquela pessoa já não importa tanto. As pessoas dessa faixa etária se sentem invisibilizadas pela sociedade. Nossa intenção é mostrar que a opinião dos 70+ e sua experiência continuam tendo valor. Uma sociedade que vive mais precisa garantir uma participação ativa deles na vida cívica do país”, afirma Cléa.

Para parte desse eleitorado, existe ainda uma dificuldade bastante concreta: chegar ao local de votação. Neste ano, o TSE criou o programa Seu Voto Importa, que prevê transporte especial, individual e gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios para chegar à seção eleitoral. A medida também contempla pessoas idosas quando a idade avançada resultar em dificuldade de locomoção. O programa vale para todo o país, mas a organização do serviço cabe aos Tribunais Regionais Eleitorais, os TREs, em parceria com órgãos públicos. O pedido deve ser feito pelos canais indicados em cada estado e é analisado caso a caso.

Um mapeamento do data8 encontrou diferenças na forma como o programa está sendo colocado em prática e divulgado. Até 8 de setembro, a iniciativa alcançava 358 municípios em Minas Gerais, mais de 300 em São Paulo e 143 na Paraíba. A comunicação apareceu como um dos pontos mais sensíveis. “O transporte pode estar disponível, mas, se um eleitor de 75 ou 80 anos não se reconhece na expressão ‘mobilidade reduzida’, ele pode nem chegar a verificar se tem direito ao serviço”, afirma Cléa.

Ela chama isso de problema da “última milha” da política pública, quando uma medida existe, mas ainda precisa chegar de forma clara a quem pode usá-la. “A última milha dessa política pública é também uma questão de comunicação.”

Na Paraíba, o TRE passou a explicar que a dificuldade de locomoção pode ocorrer “inclusive por idade avançada” e divulgou as informações pelo site, WhatsApp e Instagram. No Ceará, o próprio tribunal reconheceu que o acesso pela internet pode representar uma barreira para parte da população idosa. No Amapá, foi produzida uma cartilha voltada diretamente às pessoas idosas, além da divulgação da história de uma eleitora de Macapá que decidiu votar aos 96 anos.

Em Sergipe, a estratégia foi ouvir antes de criar as ações. O Projeto Cidadania 70+ realizou rodas de conversa em cinco Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS, para entender por que parte desse eleitorado se afasta das eleições depois dos 70 anos. A escuta levou a medidas de acolhimento nos locais de votação e a campanhas com a mensagem “Cada voto é importante”.

A participação de Drauzio Varella no Voto da Experiência parte da ideia de “movimente-se”. Para Cléa, isso não significa apenas atividade física, mas continuar presente, fazendo escolhas e participando da vida do país. Segundo ela, Drauzio ajuda a reforçar justamente essa mensagem: envelhecer não significa se retirar da vida pública.

“Sua presença ajuda a desconstruir a ideia de que envelhecer significa se retirar da vida pública. A mensagem é: se você pode e quer participar, movimente-se. Vá votar.”

O chamado também é dirigido às famílias. “Para filhos e netos, movimente-se também: leve seus pais e avós para votar.”

Depois de atravessar diferentes momentos da história do país, esse eleitorado continua fazendo parte das decisões sobre o presente e o futuro. Para Cléa, a campanha busca justamente reforçar que envelhecer não significa deixar de participar da vida pública.

“O voto pode se tornar facultativo aos 70 anos; a cidadania, não”, resume.

Serviço: https://votodaexperiencia.com.br/

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Fonte: Mídia NINJA

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