Oito em cada dez CEOs admitem que empresas ainda descumprem NR-1

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Por Allan Ravagnani — Carta Capital

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Pesquisa com 168 executivos mostra atraso na gestão de riscos psicossociais e aponta práticas que reduzem ansiedade, fadiga e solidão entre trabalhadores

Oito em cada dez CEOs reconhecem que as empresas que comandam ainda não cumprem integralmente a NR-1, cujo prazo de adequação terminou em 26 de maio. Somente 20% afirmam ter concluído a implantação dos processos de gestão de riscos psicossociais, enquanto 58% seguem em fase de implementação e 11% não têm previsão para atender à norma.

Na prática, a atualização da regra obriga as companhias a incluir riscos psicossociais, entre eles estresse, assédio, sobrecarga e adoecimento emocional, nos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. Com isso, a responsabilidade das organizações sobre a saúde mental dos trabalhadores aumenta, e a prevenção passa a ser cobrada.

Além disso, o levantamento mostra que empresas com políticas de benefícios e remuneração mais maduras têm 77% mais chance de estar em conformidade com as exigências.

Os números vêm da pesquisa “A visão dos CEOs sobre o RH no Brasil”, feita pela FIA em parceria com a Flash, que ouviu 168 executivos de empresas com mais de 300 funcionários. Para a Flash, o resultado indica que companhias com gestão mais avançada da experiência dos funcionários também tendem a ter estruturas de prevenção e cuidado mais desenvolvidas.

Paralelamente, a terceira edição do índice Engaja S/A, produzido pela Flash com a FGV, mediu de que forma o sofrimento emocional aparece no ambiente profissional. Segundo o estudo, 18% dos trabalhadores brasileiros convivem todos os dias com sintomas de ansiedade, insônia e depressão.

Os sintomas, contudo, variam conforme o perfil. A pesquisa separou cinco grupos dentro das organizações, cada um com características próprias.

O primeiro é o do profissional ansioso, com maior incidência entre jovens e desengajados. Em seguida vem o exausto, e 74% das lideranças relatam fadiga frequente, sinal de que o desgaste começa no topo da hierarquia.

Já o profissional que não desliga aparece com mais frequência em jornadas intensas, a exemplo das escalas 6×1 e 12×36. Nesse grupo, 18% convivem com insônia diária.

Há ainda o desconectado, perfil ligado ao desengajamento ativo, em que a depressão chega a ser três vezes mais frequente. Por fim, o solitário é ligeiramente mais comum em modelos remotos e se caracteriza pela falta de vínculo e pertencimento.

No conjunto, profissionais desengajados apresentam até três vezes mais ansiedade do que os engajados, o que reforça o peso das condições de trabalho sobre a saúde emocional.

De acordo com o levantamento, fatores organizacionais estão diretamente associados à redução dos sintomas. Confiança na liderança, clareza na gestão, percepção de propósito e clima de trabalho positivo aparecem entre os itens de maior impacto.

Entre as práticas ligadas à queda do sofrimento emocional estão desenvolvimento pessoal e profissional, lideranças preparadas psicologicamente, planos de carreira, treinamentos contínuos, modelos de trabalho flexíveis e programas de conexão e pertencimento.

Ações de desenvolvimento profissional, por exemplo, estão associadas a reduções de até 25% em ansiedade, depressão e solidão. Já lideranças preparadas psicologicamente aparecem ligadas a quedas de até 22% na ansiedade e de 21% na fadiga.

Para Isadora Gabriel, CHRO da Flash, a chegada do prazo acelerou uma mudança que já estava em curso nas empresas, com a troca da abordagem reativa por uma lógica preventiva em saúde mental.

“A atualização da NR-1 torna mais explícita uma discussão que já vinha ganhando espaço nas empresas: saúde mental não pode mais ser tratada apenas como consequência individual. Embora outros aspectos da vida do colaborador também influenciem a sua saúde mental, os dados mostram que fatores organizacionais e práticas de gestão também têm impacto sobre o sofrimento emocional e que lideranças mais preparadas e ambientes mais saudáveis ajudam a reduzir esses sintomas”, afirma.

Daqui em diante, as companhias precisam mapear de que maneira o desenho do trabalho, a cultura interna e a gestão afetam a saúde emocional dos profissionais, pontos que passaram a integrar as exigências da NR-1.


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Fonte: Carta Capital

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