O herpes-zóster pode ocorrer mais de uma vez? Veja as chances de reincidência

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Publicado em 01 de Outubro de 2026 às 15:44

Guilherme Sillva

Publicado em 

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O herpes-zóster é uma doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo vírus que causa a catapora. Depois que a pessoa tem um primeiro contato com esse vírus, ele pode permanecer “adormecido” no organismo, nos nervos, por muitos anos. Em algum momento da vida, pode voltar a se manifestar na forma de herpes-zóster. É  importante ressaltar que ele não é a mesma coisa que o herpes simples, responsável, por exemplo, pelo herpes labial e genital.

A dermatologista Pauline Lyrio explica que a  complicação mais conhecida da doença é a neuralgia pós-herpética, uma dor que pode persistir mesmo depois que as feridas já cicatrizaram. ” Quando o zóster acomete a região dos olhos, também pode provocar complicações oculares e, em casos mais graves, comprometer a visão. Mais raramente, podem ocorrer infecção bacteriana das lesões, alterações neurológicas e formas disseminadas da doença, principalmente em pessoas imunocomprometidas”.

A causa da doença é a reativação do vírus varicela-zóster que já estava no organismo. Em geral, não se trata de uma nova infecção adquirida naquele momento. ” O risco de reativação aumenta com o envelhecimento e em situações que reduzem a resposta do sistema imunológico, como algumas doenças ou o uso de determinados medicamentos imunossupressores. Por isso, não é correto atribuir o aparecimento do zóster simplesmente ao estresse ou a um único fator”, diz a médica.

Muitas vezes, antes mesmo de aparecerem as lesões, a pessoa sente dor, ardência, queimação, formigamento, coceira ou uma sensibilidade diferente em uma determinada região da pele. ” Depois surgem as lesões cutâneas, geralmente acompanhando o trajeto de um nervo e mais frequentemente de um lado do corpo. Algumas pessoas também podem apresentar mal-estar, dor de cabeça ou outros sintomas gerais”, conta Pauline.

O mais característico é o aparecimento de pequenas bolhas agrupadas sobre uma área avermelhada da pele. Elas costumam se distribuir em uma faixa, acompanhando o trajeto de um nervo, e geralmente ficam restritas a um lado do corpo, sem atravessar a linha central

Pauline Lyrio Dermatologista

A dermatologista explica que c om a evolução, essas bolhas secam e formam crostas. Em alguns pacientes podem permanecer manchas e, menos frequentemente, cicatrizes.

Segundo o infectologista Luis Henrique Borges,  da Rede Meridional,  a doença é a segunda manifestação do vírus da varicela. O agente infeccioso permanece dormente no tecido nervoso por anos após o quadro inicial de catapora e retorna ao organismo quando ocorre uma queda nos níveis de anticorpos protetores.

A boa notícia para quem já enfrentou a infecção é que o risco de reativação é baixo. O médico explica que, diferente do herpes labial ou do herpes genital, o herpes-zóster raramente volta a surgir. “Trata-se de uma doença que causa bastante incômodo, mas apresenta curso benigno, não costuma recorrer e raramente evolui para outras complicações”.

Essas diferenças também se refletem nas formas de contágio e no tipo de vírus envolvido. O herpes labial é causado geralmente pelo vírus Herpes Simplex 1, transmitido por meio do beijo ou do contato oral com copos, talheres e alimentos contaminados. O herpes genital surge a partir do Herpes Simplex 2, transmitido por relações sexuais. “Já o vírus da varicela-zóster pode ser transmitido por contato respiratório ou pele a pele a partir de pessoas com catapora, mas a transmissão do zóster contagia apenas indivíduos que nunca tiveram catapora ou que jamais tomaram a vacina antivaricela”, explica  Luis Henrique Borges .

Mesmo após a cicatrização completa das feridas, o desconforto pode persistir por um período, pois reflete o comprometimento do nervo responsável pela sensibilidade daquela região. Embora raras, complicações podem incluir o comprometimento do sistema nervoso pelo próprio vírus ou infecções secundárias da pele causadas por bactérias que aproveitam o rompimento da barreira cutânea.

 “O diagnóstico não necessita de exames complementares e é realizado de forma clínica, com base nas queixas do paciente e no exame visual das lesões na pele. O tratamento envolve o uso do antiviral Aciclovir ou de seus análogos no início do quadro, acompanhado de analgésicos e compressas geladas aplicadas sobre a área afetada para aliviar a dor. Como forma de prevenção, a vacina é recomendada para pessoas acima de 50 anos, em esquema de duas doses, estando disponível na rede privada por ainda não integrar o sistema gratuito do SUS”, esclarece Borges.

Pauline conta que o tratamento geralmente inclui medicamentos antivirais, como valaciclovir, aciclovir ou famciclovir, administrados de forma oral, além do controle da dor e dos cuidados com as lesões. “Os antivirais têm maior benefício quando o tratamento é iniciado precocemente, por isso é importante procurar avaliação médica assim que houver suspeita”.

A conduta precisa ser individualizada de acordo com idade, intensidade dos sintomas, localização das lesões e condições de saúde do paciente. Acometimento próximo aos olhos, doença disseminada ou casos em pacientes imunocomprometidos merecem atenção especialmente rápida. ” Se a pessoa desenvolver neuralgia pós-herpética, também existem tratamentos específicos para controlar essa dor persistente”.

A dermatologista diz que a maioria das pessoas apresenta apenas um episódio, mas ter tido herpes-zóster uma vez não significa que a pessoa esteja protegida para sempre. “A doença pode voltar, inclusive em pessoas sem uma imunodeficiência conhecida, e o risco tende a ser maior em algumas situações de comprometimento do sistema imunológico”.

A principal medida específica de prevenção é a vacinação contra o herpes-zóster. No Brasil, a vacina recombinante é indicada para adultos a partir dos 50 anos e também, a partir dos 18 anos, para pessoas com maior risco de desenvolver a doença, incluindo determinados pacientes imunocomprometidos. São duas doses, e a indicação e o melhor momento devem ser avaliados individualmente.

“Inclusive, quem já teve herpes-zóster pode ter indicação de receber a vacina depois que o episódio agudo estiver resolvido. Ter apresentado a doença anteriormente não elimina a possibilidade de recorrência nem a indicação de prevenção”, finaliza a médica.

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