Nunes Marques avalia operação da PF como tentativa de atingir ala de Mendonça
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques reclamou ao presidente da Corte, Edson Fachin, da operação da Polícia Federal realizada nesta segunda-feira (14) contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). As informações são do SBT News.
Segundo interlocutores, Nunes Marques considerou que a operação pode “tumultuar a opinião pública” e criar um “ambiente ainda mais tenso” antes da sessão do STF marcada para terça-feira (15).
O ministro é citado em conversas atribuídas a Cezinha, que também mantém proximidade com o ministro André Mendonça. De acordo com as informações divulgadas, Nunes Marques avaliou que não há elementos que indiquem uma irregularidade cometida por ele.
Sessão do STF ocorre nesta terça-feira
Nunes Marques e Fachin também conversaram sobre a sessão prevista para terça-feira (15). O encontro deve tratar das investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o relato, Fachin teria sinalizado que não pretende alterar a programação e manterá a sessão. O contexto ocorre em meio às investigações que também alcançam relações atribuídas a pessoas próximas aos ministros.
A ação da Polícia Federal corresponde à terceira fase da Operação Transparência. A investigação apura suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Cezinha é investigado sob suspeita de atuar como intermediário junto a ministros de tribunais superiores em processos de interesse de clientes. Conforme os dados divulgados pela investigação nesta segunda-feira (14), o deputado teria atuado em ao menos dois processos relacionados a Nunes Marques.
Em um dos casos, envolvendo o pedido de soltura de um investigado por desvios de recursos da educação, haveria previsão de pagamento de R$ 3 milhões. No outro processo, o valor mencionado seria de R$ 500 mil. A PF afirma que Cezinha não atuava como advogado nos casos, mas teria utilizado sua posição política para sugerir que poderia exercer influência sobre ministros.
Aliados negam atuação indevida de Nunes Marques
No entorno de Nunes Marques, a avaliação apresentada é de que as informações reunidas pela investigação apontam para outra interpretação. Cezinha teria tentado convencer terceiros de que possuía influência sobre o ministro.
Nessa versão, Nunes Marques teria sido “usado” por clientes ou intermediários que supostamente comercializavam essa influência. A avaliação dos aliados é de que não existem registros de contato ou atuação indevida do ministro nos processos mencionados.
As informações da investigação, contudo, registram contatos entre Cezinha e Nunes Marques. Segundo a PF, o deputado teria relatado conversas e despachos mantidos com o ministro. A apuração busca determinar se essas relações produziram algum tipo de interferência indevida nos processos.
Fonte: Brasil 247