Crise no STF não altera voto de 67% do eleitorado, aponta Quaest
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A turbulência que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master não interfere na escolha presidencial de 67% dos eleitores brasileiros. Outros 22% afirmam que os acontecimentos reforçam sua opção atual, enquanto somente 7% admitem considerar uma mudança de candidato. Os números são da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) pelo jornal O Globo.
Questionados especificamente sobre a influência da crise no STF em seu voto para presidente, 67% responderam que o episódio não interfere na escolha. Para 22%, a situação reforça a decisão já tomada. Outros 7% afirmaram que os acontecimentos os fazem considerar uma mudança de voto, enquanto 4% não souberam ou não responderam.
Somados, portanto, 89% dos entrevistados não demonstram disposição para trocar de candidato em razão da crise: 67% porque dizem não sofrer qualquer influência do episódio e 22% porque afirmam ter sua escolha reforçada.
Grau de conhecimento sobre o caso Master
A Quaest também mediu quanto os eleitores conhecem o escândalo envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, 48% dizem estar bem informados sobre o assunto.
Outros 27% afirmam conhecer o caso, mas reconhecem não estar em dia com as notícias. Já 25% dizem não saber sobre o escândalo envolvendo a instituição financeira.
O grau de conhecimento aumenta quando a pesquisa aborda especificamente as mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Nesse caso, 73% dos eleitores afirmam saber da situação, enquanto 23% dizem desconhecê-la.
52 mensagens ampliam pressão sobre Moraes
A crise ganhou uma nova dimensão depois que relatório da Polícia Federal (PF) listou um conjunto de 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes.
Os diálogos ocorreram nas semanas anteriores à primeira prisão do banqueiro e à liquidação da instituição financeira, medidas que Vorcaro buscava impedir enquanto procurava autoridades dos três Poderes da República.
De acordo com a PF, Vorcaro pediu ajuda a Moraes para “bloquear” e “desarmar” ações contra ele e buscou orientações sobre se deveria ou não deixar o país.
Não é possível determinar, com base no material disponível, quais respostas Moraes teria enviado ao banqueiro. Ainda segundo a PF, o ministro utilizava mensagens de visualização única, que desaparecem depois de lidas.
Uma eventual investigação poderá buscar esclarecer essa lacuna por meio de depoimentos de testemunhas, cruzamento de informações e outras diligências.
STF decidirá se abre investigação contra Moraes
O plenário do STF inicia na terça-feira (15), em sessão pública, o julgamento que decidirá se há elementos suficientes para abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Os dez ministros atualmente em exercício — uma cadeira da Corte permanece vaga — deverão analisar o relatório da PF inicialmente encaminhado ao ministro André Mendonça e avaliar se as informações apresentam indícios mínimos que justifiquem a abertura de uma apuração.
Caso a investigação seja autorizada, será a primeira vez na história que um integrante do Supremo será alvo de uma apuração dessa natureza aberta a partir de uma decisão dos próprios ministros da Corte.
Fachin determina retirada de sigilos
Em meio à escalada da crise, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master. A determinação foi posteriormente cumprida por André Mendonça.
Entre os procedimentos que tiveram informações liberadas estão apurações envolvendo Flávio Bolsonaro e a produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, além de casos relacionados a Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro.
A retirada do sigilo, contudo, não alcança indiscriminadamente todo o conteúdo das investigações. Permanecem protegidas diligências em andamento e peças processuais cuja publicidade possa prejudicar as apurações.
Em outra frente relacionada a “Dark Horse”, o ministro Flávio Dino determinou no domingo (13) a retirada do sigilo de outro processo, relacionado à suspeita de uso indevido de emendas parlamentares para financiar a produção do longa.
Quaest ouviu 2.004 eleitores
Contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 10 e 13 de setembro, com 2.004 entrevistas. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03607/2026 e informa nível de confiança de 95%.
Fonte: Brasil 247