Breno Altman: “Defender Alexandre de Moraes é um tiro no pé”
Por Dafne Ashton — Brasil 247
247 – Em entrevista ao Bom Dia 247, o jornalista Breno Altman afirmou que a esquerda não deve assumir a defesa do ministro Alexandre de Moraes diante das suspeitas relacionadas ao Banco Master. Para ele, qualquer tentativa de transformar a proteção ao magistrado em uma posição política do campo progressista representa um erro que pode produzir consequências eleitorais e comprometer a defesa da transparência nas investigações.
“Defender Alexandre de Moraes é um tiro no pé. Aqui eu estou analisando não apenas pelos interesses nacionais, mas pelos interesses da campanha eleitoral. Defender Alexandre Moraes é um tiro no pé com bazuca”, afirmou.
Altman sustentou que o fato de Moraes ter desempenhado papel central nas decisões do Supremo Tribunal Federal contra o golpismo bolsonarista não deve servir como argumento para impedir ou limitar investigações sobre sua própria conduta. Segundo o jornalista, a posição da esquerda precisa ser determinada pela defesa das instituições e pela exigência de apuração, independentemente da identidade dos envolvidos.
“Por mais que o Alexandre de Moraes tenha atuado corretamente contra o golpismo bolsonarista, se ele cometeu erros, pague pelos erros. Não será defendido. Que seja investigado”, resumiu.
O jornalista avaliou que existem indícios suficientes para justificar a inclusão de Moraes nas apurações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele mencionou, em particular, as informações referentes ao contrato firmado pelo escritório de advocacia da mulher do ministro e defendeu que o conteúdo relacionado às investigações seja tornado público.
“É muito claro que Alexandre Moraes tem que ser colocado dentro do inquérito do caso Banco Master. As evidências são pululantes sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro. É evidente que ele tem que ser investigado”, disse.
Altman ressalvou que a existência de indícios não significa condenação antecipada. Em sua avaliação, Moraes, assim como qualquer outro investigado, deve ter direito à defesa e ao devido processo. O ponto central, afirmou, é que sua posição no Supremo não pode ser utilizada para evitar a investigação.
“Eu não estou aqui condenando o ministro Alexandre Moraes. O que há até agora são indícios. Ele tem o direito de se defender, como qualquer cidadão”, afirmou.
Para Altman, a posição política mais adequada para a esquerda é defender que as informações sobre o Banco Master sejam abertas e submetidas ao escrutínio público. O jornalista considera que a manutenção de sigilos e a disputa interna no Supremo ampliam as especulações e mantêm a crise como um dos principais assuntos do debate político.
“Tudo que tem a ver com o caso Banco Master tem que vir imediatamente a público. O celular do Vorcaro, as investigações da Polícia Federal e assim por diante. Transparência absoluta é o que interessa ao país”, declarou.
Na avaliação de Altman, essa postura também impediria que o bolsonarismo explorasse politicamente uma associação entre Moraes e a esquerda. Segundo ele, uma das estratégias do campo ligado a Flávio Bolsonaro consiste em apresentar o ministro como integrante de um mesmo bloco político do governo Lula para diluir as acusações relacionadas ao Banco Master.
“O que o bolsonarismo tenta fazer? Empurrar Alexandre Moraes para o colo do presidente Lula”, afirmou.
Para o jornalista, caso setores progressistas assumam a defesa do ministro, reforçariam a narrativa de que integrantes da esquerda estariam dispostos a proteger suspeitos desde que tenham atuado anteriormente contra Jair Bolsonaro e seus aliados.
“Qual é a lógica para a qual o bolsonarismo tenta empurrar a esquerda? ‘Vocês também estão sujos na lama. Vocês também são do Vorcaro. Olha lá o Alexandre Moraes’”, disse.
Altman afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado uma posição diferente ao defender que todos os envolvidos sejam investigados, sem estabelecer proteção política a Moraes. Para ele, essa deve ser também a orientação dos partidos, militantes e organizações do campo progressista.
“O presidente Lula deu a linha e deu corretamente, na minha opinião: que todos sejam investigados, que todos os inquéritos sejam expostos à luz do dia e que todos aqueles que cometeram ilicitudes paguem por elas, não importa quem seja”, afirmou.
O jornalista também fez uma autocrítica à relação construída entre parte da esquerda e Moraes desde os ataques às instituições e as investigações contra integrantes do bolsonarismo. Segundo ele, segmentos progressistas transferiram ao Supremo uma responsabilidade que deveria permanecer no campo da disputa política.
“A esquerda brasileira terceirizou desde 2023 o combate ao bolsonarismo para a Corte Suprema. Boa parte da esquerda fez de Alexandre de Moraes o ‘Xandão das massas’. Ilusões foram disseminadas em relação a esse personagem”, declarou.
Na avaliação de Altman, esse processo produziu uma identificação política entre setores da esquerda e um ministro do STF, relação que agora dificulta uma análise independente diante das suspeitas levantadas contra ele.
“Alexandre Moraes não tem nada a ver com a esquerda”, afirmou.
Para Altman, a função desempenhada por Moraes no enfrentamento institucional às ações bolsonaristas não deve ser confundida com alinhamento programático ou político. O ministro, disse, deve ser submetido aos mesmos critérios de fiscalização aplicados a qualquer autoridade pública.
O jornalista sustentou ainda que a defesa incondicional do STF também seria um erro caso se confirmem vínculos impróprios de integrantes da Corte com Daniel Vorcaro.
“Faz bem para a esquerda ficar ao lado de um STF no qual um grupo de seus ministros pode ter se tornado marionete de um banqueiro? O povo entenderia isso? Vamos defender ministros que eventualmente colocaram a mão na lama? Não faz qualquer sentido”, disse.
Altman concluiu que a saída para preservar tanto a credibilidade das instituições quanto a posição política da esquerda passa por investigação, publicidade dos autos e afastamento de qualquer tentativa de proteção pessoal a Moraes.
“Transparência, investigação, nenhum compadrio com eventuais crimes que tenham sido cometidos. Essa é a postura adequada”, afirmou.
Fonte: Brasil 247