Namorado de estudante encontrada morta em Fortaleza é preso preventivamente
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A Polícia Civil do Ceará prendeu preventivamente nesta terça-feira (22) João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no pátio de um condomínio em Fortaleza em 13 de setembro. A prisão foi confirmada pela advogada do investigado, Lígia Peixe.
Segundo a Folha de S.Paulo, João havia prestado depoimento por aproximadamente quatro horas na noite de segunda-feira (21) e entregado seu celular, além da senha do aparelho, aos investigadores. A defesa sustenta que ele não teve participação na morte e afirma que o jovem passou os últimos dias na casa de um parente na capital cearense.
“Ele não tinha condições de estar na mesma casa que dormiu com a moça”, afirmou a advogada. Lígia Peixe criticou a prisão e disse que outras hipóteses ainda precisariam ser esclarecidas pela investigação.
“Eu não tenho como dizer por que estão fazendo isso, porque sabe-se que pode ter ocorrido queda ou suicídio, um ou outro. Mas não houve feminicídio, não houve homicídio, não houve instigação”, declarou.
A advogada acrescentou: “Estão montando uma história para crucificar um rapaz que tem um relacionamento recente, de menos de três meses”. Segundo ela, “o erro foi que ele adoeceu e ficaram distantes”.
Câmeras registraram últimos deslocamentos
Isabelle foi encontrada morta na noite de 13 de setembro no pátio do condomínio La Piazza, no bairro Aldeota. Ela havia passado a morar no local com João e familiares dele.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), a Polícia Civil analisou câmeras do condomínio e reconstruiu a cronologia dos deslocamentos de Isabelle e do namorado antes da morte.
Imagens obtidas pelo Diário do Nordeste, conforme relatado pela Folha, mostram João e a mãe dele deixando o prédio enquanto Isabelle permanecia no condomínio. Posteriormente, a estudante aparece sozinha no elevador seguindo para o 23º andar.
Segundo a reportagem, João teria retornado ao edifício às 22h48, após o horário estimado para a morte.
O laudo cadavérico indicou politraumatismo como causa da morte, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais não detectaram substâncias tóxicas.
Família cobra esclarecimentos
O caso passou a ter repercussão nacional depois que Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando respostas sobre as circunstâncias da morte da filha. Ela e o filho, Rafael Magalhães, prestaram depoimento à Polícia Civil na segunda-feira.
No vídeo, Isorlanda classificou João como controlador. “Ele era extremamente controlador, fora do normal, obsessivo”, afirmou.
A mãe também questionou o fato de familiares de João não terem comunicado a morte de Isabelle. Segundo seu relato, ela só tomou conhecimento do ocorrido por meio da síndica do condomínio no dia seguinte.
A defesa contesta essas acusações. Lígia Peixe afirmou que João não possui histórico de comportamento controlador. “Ela era uma menina de personalidade forte. Ele é um cara que estava apaixonadíssimo, porque ela era linda. mas não tem histórico nenhum disso”, disse.
“A gente entende a dor da mãe, de perder uma filha, mas acho que está sendo uma coisa precipitada”, acrescentou.
Defesa contesta versão sobre bloqueio nas redes sociais
A advogada afirmou ainda que João negou ter bloqueado a mãe de Isabelle nas redes sociais. Segundo a defesa, ele atribuiu o bloqueio à própria Isorlanda.
“Ele disse que foi ela, a mãe, que bloqueou as mensagens. A gente tem que aguardar a perícia para saber quem bloqueou quem”, afirmou Lígia Peixe.
A defensora também declarou que Isabelle tinha o hábito de subir até o último andar do condomínio para observar a paisagem. “Ela costumava fazer isso porque a vista é muito bonita lá em cima.”
Relacionamento havia começado há poucos meses
Isabelle e João haviam se conhecido em julho, depois que a estudante iniciou um estágio em um escritório de advocacia no qual ele trabalhava. Segundo o escritório, Isabelle permaneceu na equipe por cerca de 20 dias, até o início de agosto, quando pediu desligamento por razões pessoais.
“Posteriormente, o Sr. João Munhoz Neto também deixou de prestar serviços ao escritório”, informou o local em nota.
No domingo em que morreu, Isabelle havia passado o dia na casa da mãe e depois seguiu para encontrar João, com quem iria a uma missa.
No último domingo (20), a Polícia Civil localizou a mãe de João na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O celular dela e um tablet foram apreendidos para perícia durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil do Ceará, que busca esclarecer as circunstâncias da morte e analisar o material recolhido durante as diligências.
Fonte: Brasil 247