Em carta ao STF, pai de Vorcaro nega envolvimento no caso Master
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Preso desde maio na Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, enviou nesta terça-feira (22) uma carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na qual contesta sua inclusão nas investigações do caso Master.
No documento, de quatro páginas, Henrique afirma que não pode ser envolvido no caso apenas por ser pai de Daniel. Ele classifica a prisão como uma “injustiça”, nega que tratasse de negócios com o filho e afirma estar com a saúde extremamente debilitada enquanto permanece detido.
“Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor, sejam corretos e justos. O ofício da Polícia Federal é fazer justiça, não injustiça. É descobrir a verdade, não criar histórias por hipóteses absurdas e sem comprovação”, diz Henrique no documento.
A prisão do empresário ocorreu em maio, durante uma ação da Polícia Federal relacionada às investigações do caso Master. A ordem foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do processo no STF.
PF aponta atuação em estrutura criminosa
Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro financiava e atuava como operador de uma estrutura criminosa que reunia bicheiros, milicianos e hackers. A PF afirma que ele utilizava essas conexões para intimidar e coagir adversários de Daniel Vorcaro.
Ainda de acordo com a polícia, o grupo teria cooptado uma delegada e agentes da própria Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas de investigações relacionadas ao caso Master.
Os investigadores atribuem a Henrique uma atuação considerada fundamental nesse núcleo. Segundo a PF, ele solicitava serviços ilícitos aos demais integrantes e administrava os pagamentos relacionados ao esquema.
Ao pedir a revogação da prisão, Henrique negou qualquer participação criminosa. Ele afirmou que as movimentações financeiras com outros investigados estavam relacionadas a adiantamentos de dinheiro referentes a negócios comerciais.
“Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso, não conheço nem sei de turma nenhuma”, diz outro trecho da carta.
Henrique também contestou o conteúdo do relatório produzido pela Polícia Federal e classificou as acusações como fantasiosas.
“Nunca ameacei, nunca participei de nada com eles. Não existe na minha vida algum histórico de envolvimento meu com ameaças, algo escuso com ninguém, em lugar nenhum. É uma história bizarra, vergonhosa, fantasiosa”, declarou.
Fonte: Brasil 247