Trump: “Insulto à inteligência e à sensibilidade humana”
Por Marcia Carmo — Brasil 247
As palavras de Donald Trump geraram preocupação e críticas no governo brasileiro. Em seu discurso, nesta terça-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump ameaçou usar o “poderio militar” dos Estados Unidos na América Latina, “se necessário”, intensificando a escalada de ataques em relação à segurança na região.
‘Não é quintal’
Suas declarações foram feitas logo após o discurso do presidente Lula, que, como é tradição, por ser o presidente do Brasil, foi o primeiro a discursar na Assembleia da ONU, em Nova York. Lula ressaltou que nosso país “não cabe no quintal de ninguém” e enfatizou que o Brasil “continuará sendo um país soberano”. Suas mensagens foram um claro recado ao governo Trump, que desde seu retorno à Casa Branca atua para aumentar o poder e a influência na América Latina e especialmente na América do Sul – região riquíssima em recursos naturais e tendo a China como principal parceiro comercial da maioria dos seus países.
Brasil
As ameaças de Trump ocorreram poucos dias depois de o governo norte-americano declarar que o “Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas”, PCC e Comando Vermelho, e que a atuação destas facções criminosas supostamente transformou o país em um “centro de distribuição global de cocaína”.
Venezuela
Como de costume, Trump voltou a citar a Venezuela como um exemplo de ação de “sucesso” dos Estados Unidos, afirmando que os dois países juntos respondem por mais de 60% do petróleo global. A Venezuela, vizinha do Brasil, tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e desde o sequestro de Nicolás Maduro, em fevereiro, é governada por Delcy Rodríguez, recebida com tapete vermelho na ONU. Os venezuelanos, porém, quando entrevistados pela reportagem, dizem que não percebem mudanças em suas vidas no país. Até a captura de Maduro, a Venezuela era citada com frequência por autoridades dos Estados Unidos como um dos epicentros de drogas da América Latina. As acusações retrocederam, e muito, neste ano, observaram diplomatas de países vizinhos do Brasil em conversas com a reportagem.
Cuba
Já Cuba continua no foco dos ataques da administração Trump e foi citada assim pelo presidente norte-americano em seu discurso na ONU: “Estamos pensando também em uma mudança radical em Cuba, onde o regime comunista está sob a maior pressão que jamais teve. É um regime absolutamente falido. Um Estado falido e vai cair”. A delegação de Cuba deixou o plenário da Assembleia após Trump falar em “mudança radical” no país caribenho.
“Insulto”
O discurso de Trump foi considerado um “insulto à inteligência e à sensibilidade humana”, segundo uma alta fonte do governo brasileiro em Brasília. Em suas redes sociais, por sua vez, o presidente da Argentina, Javier Milei, disse que o discurso de Trump, seu principal referente político, foi exemplar. “Somente um pequeno grupo não entende a magnitude da liderança (de Trump)”, postou Milei. Há controvérsias.
Fonte: Brasil 247