Mendonça revoga prisão de filho do ‘Careca do INSS’, apontado pela PF como sucessor do pai no esquema

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Por Luan MonteiroJornal Opção

Mendonça revoga prisão de filho do ‘Careca do INSS’, apontado pela PF como sucessor do pai no esquema

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, revogou a prisão preventiva de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e investigado pela Polícia Federal (PF) no esquema de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários. Romeu estava preso desde dezembro de 2025 e, segundo as investigações, teria assumido funções estratégicas na organização após o avanço das apurações contra o pai.

A decisão de Mendonça substituiu a prisão por monitoração eletrônica. O ministro também proibiu Romeu de manter contato, direta ou indiretamente, por qualquer meio, com os demais investigados e testemunhas da Operação Sem Desconto.

De acordo com a PF, Romeu passou a desempenhar um papel de “sucessor” do pai dentro da estrutura investigada. A corporação afirma que ele se tornou o principal operador administrativo do grupo à medida que as investigações avançavam e aumentava a pressão sobre Antônio Carlos.

Os investigadores atribuem a Romeu participação em operações de lavagem de dinheiro, criação de empresas de fachada e reorganização da estrutura empresarial ligada ao grupo. Ele também teria descumprido uma determinação judicial imposta ao pai ao funcionar como intermediário na comunicação de Antônio com outros investigados.

Entre as atividades atribuídas a Romeu estão a movimentação de dinheiro em espécie retirado de cofres, a participação em reuniões com notários nos Estados Unidos, a abertura de novas empresas para substituir negócios que já estavam sob suspeita e a organização de quadros de funcionários.

A PF afirma ainda que Romeu passou a integrar diretamente empresas ligadas ao pai. Ele teria se tornado sócio de pelo menos quatro negócios e participado, de forma indireta, de outros três. Conforme os investigadores, essas empresas eram utilizadas para movimentar recursos provenientes das fraudes e realizar repasses a pessoas e entidades relacionadas a servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Outro ponto destacado pela PF é a evolução da renda de Romeu. Entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, os rendimentos mensais teriam aumentado de aproximadamente R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil. Para os investigadores, o crescimento, de cerca de 63 vezes, ocorreu justamente no período em que ele passou a ingressar nas sociedades empresariais relacionadas ao pai.

Outras decisões

A decisão envolvendo Romeu ocorreu na mesma sequência de medidas adotadas por Mendonça no âmbito das investigações sobre as fraudes no INSS. Na terça-feira, 8, o ministro também determinou a soltura de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, que havia sido preso em novembro de 2025.

Virgílio foi indiciado pela PF no inquérito que apura o esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Segundo os investigadores, ele teria recebido R$ 11,9 milhões de empresas relacionadas às associações investigadas, por meio de empresas e contas bancárias vinculadas à própria esposa.

Assim como no caso de Romeu, a prisão foi substituída por medidas cautelares. Virgílio deverá utilizar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas. Também não poderá acessar entidades associativas nem instalações e dependências do INSS ou da Dataprev. Além disso, está impedido de deixar o país.

Ao justificar a decisão, Mendonça avaliou que a manutenção da prisão preventiva não seria mais necessária diante do estágio atual das investigações. Segundo o ministro, as novas restrições seriam suficientes para impedir eventual retomada das atividades atribuídas ao ex-procurador.

Em outras decisões relacionadas ao mesmo caso, Mendonça determinou ainda a substituição da prisão preventiva por monitoração eletrônica de Samuel Bomfim Júnior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), apontado pela PF como operador financeiro do esquema.

O ministro também revogou o uso de tornozeleira eletrônica por Pedro Corrêa Neto, ex-secretário de Agricultura; José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social no governo Jair Bolsonaro; e o advogado Gilmar Stelo.

Para Mendonça, o avanço das investigações reduziu a necessidade de manutenção de algumas das medidas cautelares impostas aos investigados.

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Fonte: Jornal Opção

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