Lula na ONU: “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Por henriquenunes — Fundação Perseu Abramo
Em meio aos alertas de possíveis interferências dos EUA nas eleições presidenciais no Brasil, o presidente Lula usou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque nesta terça-feira (22) para assegurar a credibilidade da democracia do país e defender a soberania nacional. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou.
Em sua décima participação na 81ª Assembleia Geral da entidade, que tem tradicionalmente o Brasil como país escolhido para abrir as conferências, Lula cobrou um posicionamento mais rígido na mediação de conflitos, fazendo menções diretas ao genocídio promovido pelo Estado de Israel em Gaza.
“Essa é a 10ª ocasião em que abro o debate geral dessa Assembleia, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa (…)“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma de um genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza””, afirmou.
Em seguida, Lula mostrou preocupação com o aumento da presença dos EUA na América Latina, com a realização de operações militares na região, cobrando o retorno do diálogo e do multilateralismo para o fortalecimento da democracia no mundo.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”.
Em seguida, completou: “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos”.
A menção ao processo eleitoral brasileiro foi direta e acontece logo após à publicação do relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificar como crítico o risco de interferência do governo dos Estados Unidos.
“No dia 4 de outubro milhões de brasileiros e brasileiras irão às urnas decidir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo ao futuro e mais oportunidades ou regressar ao passado de exclusão”.
Lula finalizou fazendo uma ampla defesa da democracia nacional, passando pelas eleições, pelo exercício da cidadania e pela liberdade de imprensa.
“Teremos um pleito transparente, competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associarem a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos o poder da desinformação, mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Mas sob o olhar atento de uma cidadania plural e uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia internos e externos atentem contra a vontade popular”.
Fonte: Fundação Perseu Abramo