Lula envia recados a Trump e critica “extrema direita fascista”
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (11) que é necessário resistência contra a “extrema direita fascista”. Ele fez referência ao governo Donald Trump (EUA) e à família Bolsonaro.
Durante evento no Rio Grande do Sul, Lula denunciou tentativas de interferência da gestão trumpista no Brasil e defendeu a soberania nacional.
“A extrema direita representava pelo presidente dos EUA tem tentado influenciar em várias eleições na América Latina. Trump tem sido modelo de cabo eleitoral para a extrema direita”, disse o presidente.
“Nenhum presidente de outro país vai meter o bedelho em nossas eleições. Nunca tive ingerência na eleição de outro país. Já falei por telefone: ‘não se meta nas eleições brasileiras. Quero ter relação civilizada com os EUA”.
Emprego, salário mínimo e inflação
Em seu discurso, o presidente destacou uma estatística divulgada em 13 de agosto. “Criamos 10 milhões de novas vagas”, disse Lula.
De janeiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse para o seu terceiro mandato, até junho de 2026, o Brasil gerou 10,1 milhões de novos empregos formais, sendo 5,35 milhões de celetistas e 4,75 milhões de agentes públicos.
A apresentação dos dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS), na sede do Ministério do Trabalho e Emprego, comandado pelo ministro Luiz Marinho.
No Rio Grande do Sul, Lula também comemorou outras estatísticas. De acordo com informações divulgadas pelo PT em 29 de agosto, o valor do salário mínimo nacional saltou de R$ 1.320 para os atuais R$ 1.621, o que representa ganho de quase 12% acima da inflação. Atualmente, o governo federal prevê que o valor suba para R$ 1.741 em 2027. “Aumentamos o salário mínimo além da inflação em todos os mandatos”.
Chapa no RS e saudação a Leonel Brizola
O presidente Lula aproveitou para firmar o seu compromisso com a educação e mencionou a importância das escolas em tempo integral no País. “Saiam (pais e mães) para trabalhar tranquilos que os filhos de vocês estarão em escolas de tempo integral”.
No Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) disputa o governo e tem Edgar Pretto (PT) como vice. Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (Psol) disputam as duas vagas para o Senado na chapa de Lula. “Vamos ganhar as eleições outra vez. É vocês quem tem que eleger a Juliana”.
Saudação a Brizola
O presidente Lula aproveitou para prestar uma homenagem a Leonel Brizola (1992-2004).
“Tenho muito orgulho de estar aqui para apoiar a neta do Doutor Leonel de Moura Brizola”, disse o presidente. “Poucas vezes esse país produziu um líder político da qualidade, de caráter, como nosso companheiro Brizola. Como faz falta”, acrescentou.
Nascido no Rio Grande do Sul em 1922, Brizola morreu de infarto em consequência de agravamento de infecções. Criador do Partido Democrática Trabalhista (PDT), ele faleceu no estado do Rio de Janeiro.
Em sua trajetória, Brizola foi deputado estadual pelo RS. Ele foi deputado federal pela mesma unidade federativa e pelo antigo Estado da Guanabara.
O ex-pedetista também foi prefeito de Porto Alegre (1956-1958), governador do RS (1959-1963) e governador do estado do Rio de Janeiro (1991-1994).
Leonel Brizola era casado com Neusa Goulart, irmã de João Goulart (1961-1964), conhecido como Jango, alvo de um golpe responsável por instalar uma ditadura até 1984. Os dois políticos gaúchos pertenciam ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sigla ligada aos trabalhadores urbanos e aos sindicatos.
As Forças Armadas não queriam apoiar Jango por considerá-lo de esquerda e aliado dos comunistas. Um dos principais marcos de Brizola foi a de criar a Campanha da Legalidade, em 1961, o que permitiu a Goulart chegar à Presidência da República.
Brizola deflagrou em Porto Alegre uma reação armada, a Campanha da Legalidade, que garantiu, no fim, o cumprimento da Constituição e a posse do vice, impedindo o golpe de Estado.
Na prática, as mobilizações de Brizola ajudaram a retardar em pelo menos três anos um golpe de Estado que se instalou em 1964, com a deposição de Jango.
Ofensiva dos EUA
Em 2026, os Estados Unidos anunciaram dois tarifaços contra o Brasil, um de 25% e outro de 12,5%. A guerra comercial teve como motivação a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente recebeu pena de 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. Outras 28 pessoas também foram condenadas.
As medidas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, também se inserem em um contexto de reação à política externa brasileira, marcada pela aproximação crescente com China, BRICS e Sul Global, três frentes que desafiam a hegemonia norte-americana na economia internacional.
Diante da ofensiva unilateral dos Estados Unidos, o governo do presidente Lula, sob a condução diplomática do chanceler Mauro Vieira, afirmou que recorrerá à Lei da Reciprocidade.
Fonte: Brasil 247