Justiça determina que deputado bolsonarista Alexandre Knoploch entregue armas à PF

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Por Maiara Marinho — Carta Capital

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Além disso, foi autorizada a instauração de um inquérito policial para investigar a conduta do parlamentar

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro determinou a suspensão do porte de armas de fogo registradas no nome do deputado estadual e candidato à reeleição Alexandre Knoploch (PL) e autorizou a instauração de um inquérito policial para investigar a conduta do parlamentar.

No dia 28 de setembro, por volta das 13h40, na Praça Saens Peña, na capital carioca, o também deputado estadual e candidato Flávio Serafini (PSOL) realizava evento de campanha eleitoral acompanhado de mais 30 apoiadores. Na ocasião, a equipe reproduzia músicas que eram tocadas em aparelho de som.

Incomodado com a música, Knoploch dirigiu-se ao comitê e iniciou discussão com os presentes, informação admitida por ele próprio. “Eu fui reclamar com eles”, disse o deputado do PL às autoridades policiais posteriormente.

No entanto, uma das militantes apoiadoras de Serafini pediu para que ele se retirasse. Neste momento, alguém comentou que “o pai está preso”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse momento, Knoploch retirou do bolso um recipiente de spray de pimenta e disparou contra pessoas que estavam na calçada e foram atingidas diretamente.

Na sequência, o deputado do PL passou a ameaçar os presentes com uma arma de fogo , momento que foi gravado. Ao ser questionado se iria “bater em mulher”, Knoploch teria ameaçado usar novamente o gás de pimenta. Algumas mulheres foram chamadas de “piranha”, “puta” e “vadia”.

No mesmo dia, ele publicou nas redes sociais um vídeo admitindo que fazia campanha, que foi ao comitê de Flávio Serafini e que usou o spray, além de ter declarado: “Uso, sim, spray de pimenta pra qualquer um que tentar me agredir”, acrescentando que “esse é o tipo de política que esses cara fazem, é na guerra”.

No processo, está registrado também que dez dias antes Knoploch divulgou material de campanha com a mensagem “A PACIÊNCIA ACABOU! SE NÃO RESPEITAR VOU RESPONDER COM SPRAY DE PIMENTA”. Segundo o noticiante a Procuradoria Regional Eleitoral, a publicação foi impulsionada como propaganda política.

Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, o deputado declarou possuir sete armas de fogo, incluindo fuzil Taurus T4 calibre 5.56, carabina calibre .40, pistolas calibres 9mm e .45 e revólver calibre .357 Magnum. Segundo a desembargadora Tathiana de Carvalho Costa, verifica-se a existência de justa causa para o início da investigação.

“Há relato detalhado de múltiplas testemunhas, apontado em registro de ocorrência policial, vídeos, reportagens, a admissão pública do uso do spray pelo próprio requerido e a exibição da arma registrada em vídeo”, escreveu a desembargadora.

Para ela, os fatos, se confirmados, configuram em tese crimes de ação penal pública. A notícia de fato foi apresentada pela PRE. Knoploch também está proibido de acessar e frequentar o comitê de Serafini e de manter contato com as pessoas que foram atacadas por ele.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

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Fonte: Carta Capital

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