É falso que PCC e CV declararam apoio a Lula
Por Luiza Vezzá — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
<p style=”margin-bottom:13px”>O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) não declararam apoio ao presidente Lula (PT), como alegam posts nas redes. Não há qualquer registro de que as facções ou suas lideranças tenham se manifestado nesse sentido. O MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e uma fonte no MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) também desmentiram a veracidade da alegação.</p>
<p>Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 75 mil curtidas no Instagram até a tarde desta sexta-feira (9).</p>
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<p>PCC e CV declaram apoio a Lula no segundo turno</p>
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<figure><picture data-type=”stamp” data-value=”falso”><img alt=”A imagem destaca na parte superior de fundo branco a manchete em texto preto: ‘PCC e CV declaram apoio a Lula no 2º turno’, sobreposta por um logotipo desfocado na cor vermelha. Na parte inferior, há uma fotografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — homem idoso de pele clara, cabelos e barba brancos —, sorrindo e vestindo terno azul-marinho, camisa social branca e gravata estampada em tons de vermelho, posicionado diante de dois microfones.” class=”w-full” height=”1192″ src=”https://static.aosfatos.org/media/cke_uploads/2026/10/09/09.10Fake_Lula” width=”954″ /></picture></figure>
<p style=”margin-bottom:13px”>Não é verdade que o PCC e o CV tenham declarado apoio ao presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições. Além de não existir registro público que ateste a alegação das publicações checadas, procuradores envolvidos em investigações sobre as duas facções criminosas negam a existência de qualquer pronunciamento nesse sentido.<br />
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Ao <strong>Aos Fatos</strong>, a assessoria do MP-RJ <a href=”https://static.aosfatos.org/media/cke_uploads/2026/10/09/910nota-mprj.png” target=”_blank”>disse</a> nesta sexta-feira (9) não ter qualquer informação nesse sentido. Já uma fonte ligada às investigações sobre o PCC no MP-SP que não quis se identificar, desmentiu ao <strong>Aos Fatos</strong> a veracidade da alegação.</p>
<p>O Ministério Público é um dos órgãos que mais acompanha de perto o funcionamento das facções, e os MPs estaduais têm grupos especializados no combate ao crime organizado.<br />
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A reportagem fez ainda buscas na imprensa, em canais oficiais de autoridades de segurança pública e em perfis nas redes sociais e não encontrou nada que indicasse apoio das facções ao presidente.<br />
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Esta peça de desinformação está inserida em uma narrativa mais ampla que, há anos, busca associar o presidente e seus apoiadores ao crime organizado e às duas maiores facções criminosas do país.<br />
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Essas alegações, impulsionadas nas redes por bolsonaristas, remontam às eleições de 2022, quando a campanha petista passou a ser associada ao PCC perto do segundo turno, como o <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/como-o-bolsonarismo-associou-lula-ao-pcc-na-vespera-da-eleicao/” target=”_blank”><strong>Aos Fatos </strong>mostrou</a> na época.<br />
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A desinformação que alegava que a <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/sigla-cpx-que-aparece-em-bone-de-lula-nao-tem-relacao-com-faccao-criminosa/” target=”_blank”>sigla CPX</a> em um boné usado por Lula teria relação com facções criminosas foi uma das que teve maior alcance na campanha daquele ano, que terminou com o petista eleito.<br />
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Neste ano, antes mesmo do início oficial da campanha, a decisão do governo Trump de classificar CV e PCC como organizações terroristas foi lida como uma manobra para reforçar a percepção enganosa no eleitorado de que Lula e o PT estariam associados às facções.<br />
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Nas redes, a decisão dos EUA desencadeou uma onda de desinformação que tratava como iminente uma invasão militar ao Brasil, como <strong>Aos Fatos</strong> checou. Alegações que circularam na época davam conta, por exemplo, de que Trump disse que <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/video-legenda-falsa-inventa-fala-trump-sobre-organizacoes-criminosas/” target=”_blank”>bloquearia satélites</a> e que <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/falso-video-blindados-americanos-rj/” target=”_blank”>blindados americanos</a> teriam sido vistos no Rio de Janeiro.<br />
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Já na reta final do primeiro turno, a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) investiu na associação de Lula às facções e acabou sendo obrigada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a remover os posts com essas alegações, além de pagar <a href=”https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/09/tse-determina-remocao-de-posts-que-associam-lula-a-faccoes-criminosas-flavio-e-multado-em-r-5-mil.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=canais&utm_campaign=g1″ target=”_blank”>multa</a> de R$ 5.000.<br />
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Uma das publicações analisadas pelo TSE era uma imagem produzida com inteligência artificial que mostrava o presidente Lula com a frase “Trump, deixe nossos bandidos em paz”, segundo o <em>g1</em>.</p>
<details open><summary>O caminho da apuração</summary>
<p><strong>Aos Fatos </strong>entrou em contato com o Ministério Público do Rio de Janeiro e também conversou com uma fonte no Ministério Público de São Paulo sob condição de anonimato. <strong>Aos Fatos</strong> também pediu um posicionamento oficial para o MP paulista, que não respondeu até a publicação desta checagem.</p>
<p>Foram feitas buscas na imprensa, em canais oficiais e perfis nas redes sociais, mas não foram obtidos resultados que confirmassem a veracidade da alegação dos posts.</p>
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A reportagem reuniu ainda informações contextuais sobre as facções criminosas citadas e outros momentos em que a falsa associação circulou.</p>
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