Foto forjada e falso elo com facções retomam narrativa que associa PT ao crime

0

Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

<p>Uma foto gerada por inteligência artificial de supostos eleitores do PT com <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/foto-eleitores-pt-tornozeleira-IA/” target=”_blank”>tornozeleiras eletrônicas</a> e publicações que inventam declarações de apoio do <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/pcc-comando-vermelho-apoio-lula-falso/” target=”_blank”>PCC e do Comando Vermelho</a> a Lula retomam uma narrativa recorrente nas redes: a tentativa de associar o partido, seus dirigentes e apoiadores ao crime organizado. As duas peças, desmentidas pelo <strong>Aos Fatos</strong> nesta sexta-feira (9), atualizam um repertório de desinformação explorado pelo menos desde a eleição de 2022.</p>

<p>Em outubro daquele ano, fotos de Lula com um boné com a inscrição “CPX”, durante uma visita ao Complexo do Alemão, no Rio, foram usadas para insinuar a ligação do petista com facções. Como <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/sigla-cpx-que-aparece-em-bone-de-lula-nao-tem-relacao-com-faccao-criminosa/” target=”_blank”>mostrou <strong>Aos Fatos</strong></a> à época, as letras são uma abreviação de “complexo”, empregada por moradores, pela Polícia Militar e pelo governo estadual. Essa insinuação, além de estigmatizante, foi explorada durante aquela campanha para atrelar Lula ao tráfico no Rio de Janeiro.</p>

<p>Meses antes, Gustavo Gayer, então candidato a deputado federal, havia divulgado a alegação falsa de que o TSE reconhecera uma conexão entre PT e PCC. A decisão citada apenas negava um pedido de remoção de uma postagem de Jair Bolsonaro. A magistrada relatora do caso ressaltou que a autenticidade de uma gravação não comprovava as declarações nela registradas, ou seja, <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-tse-admitiu-ligacao-entre-pt-e-pcc/” target=”_blank”>o tribunal não havia reconhecido o suposto vínculo</a>.</p>

<p>A circulação desses conteúdos foi documentada em <a href=”https://apublica.org/sentinela/2022/10/como-o-bolsonarismo-associou-lula-ao-pcc-na-vespera-da-eleicao/” target=”_blank”>investigação do <strong>Aos Fatos</strong></a> às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. Nos quatro dias anteriores ao pleito, correntes que vinculavam Lula ou o PT, sem provas, a crimes violentos ou organizações criminosas circularam 97 vezes nos grupos de WhatsApp monitorados pelo <strong><em>Radar</em> Aos Fatos</strong>.</p>

<p>Ao mesmo tempo, mensagens virais em grupos bolsonaristas e de direita em redes sociais e aplicativos de mensagem abarcavam uma série de teorias da conspiração que associavam Lula ao tráfico internacional de drogas. Entre as principais palavras-chave e termos mais frequentes nessas publicações enganosas estavam:</p>

<ul>
<li aria-level=”1″>o PCC, maior facção criminosa dentro e fora de presídios;</li>
<li aria-level=”1″>um dos líderes do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola;</li>
<li aria-level=”1″>as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia);</li>
<li aria-level=”1″>o ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro;</li>
<li aria-level=”1″>e o Foro de São Paulo.</li>
</ul>

<p>Naquele ano, entre o dia do debate e a véspera do primeiro turno, Jair Bolsonaro havia atribuído a Lula a pecha de criminoso em ao menos 34 ocasiões, como apurara <strong>Aos Fatos</strong> com base na ferramenta <a href=”https://escriba.aosfatos.org/banco-de-discursos/?q=&a=bolsonaro” target=”_blank”>Banco de Discursos</a>.</p>

<h3>Narrativa persiste entre as eleições</h3>

<p>Em setembro de 2025, posts alegaram que a operação Carbono Oculto havia revelado financiamento de pesquisas eleitorais pelo PCC para beneficiar Lula em 2022. <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/investigacao-nao-revelou-que-pcc-financiou-pesquisas-eleitorais-em-2022-para-beneficiar-lula/” target=”_blank”>A investigação não revelou esse esquema</a>. Os comunicados oficiais não mencionavam pesquisas, e Genial Investimentos e Quaest não eram alvos da operação, conforme alegavam as publicações.</p>

<p>Algumas versões da publicação recente sobre as tornozeleiras também citam a maioria de votos obtida por Lula em presídios. Essa associação já apareceu no <a href=”https://www.aosfatos.org/noticias/checamos-o-debate-band-entre-bolsonaro-e-lula/” target=”_blank”>debate da Band de 2022</a>, quando Bolsonaro usou a votação nessas unidades para sugerir afinidade do adversário com criminosos. O argumento omite que as seções também recebem votos de funcionários e mesários – e que presos com condenação definitiva têm os direitos políticos suspensos. Os resultados dessas seções não evidenciam vínculos de um candidato com organizações criminosas.</p>

<h3>Autoridades repetem e amplificam acusações </h3>

<p>Parlamentares bolsonaristas também amplificam essa narrativa. Em novembro de 2025, após a Justiça determinar a remoção de uma postagem em que chamava o PT de “Partido dos Traficantes”,<a href=”https://www.poder360.com.br/poder-justica/justica-do-df-manda-x-apagar-post-em-que-nikolas-liga-pt-a-trafico/” target=”_blank”> </a>o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) <a href=”https://www.poder360.com.br/poder-justica/justica-do-df-manda-x-apagar-post-em-que-nikolas-liga-pt-a-trafico/” target=”_blank”>citou</a> a votação de Lula em presídios e supostas comemorações de presos para defender sua publicação.</p>

<p>No dia seguinte, <a href=”https://www.camara.leg.br/internet/SitaqWeb/TextoHTML.asp?Data=04%2F11%2F2025&dtHorarioQuarto=13%3A28&etapa=5&nuInsercao=1&nuOrador=1&nuQuarto=4727196&nuSessao=240.2025&sgFaseSessao=” target=”_blank”>Carlos Jordy (PL-RJ) levou o mesmo argumento à tribuna da Câmara</a>. Ao defender a associação entre PT e tráfico, citou os votos em Lula e afirmou que “80% dos presidiários celebraram” sua vitória. Resultados de seções eleitorais em presídios, porém, não comprovam vínculos com facções nem permitem medir quantos presos comemoraram a eleição.</p>

<p>Ambos os políticos foram eleitos para a Câmara e o Senado, respectivamente, nas eleições deste último domingo (4), e estarão na próxima legislatura.</p>

Fonte: Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *