Deflação aumenta pressão por novo corte da Selic na próxima reunião do Copom

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A queda dos preços ao consumidor em agosto fortaleceu as projeções de que o Banco Central faça mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para terça-feira (15) e quarta-feira (16).

Segundo a Folha de S.Paulo, economistas ouvidos pelo jornal avaliam que a deflação de 0,32% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), combinada com sinais de desaceleração da economia, reforça a possibilidade de a taxa básica cair dos atuais 14% para 13,75% ao ano.

Caso a projeção se confirme, será o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual promovido pelo Copom.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a queda do IPCA em agosto foi influenciada principalmente pela redução na conta de energia elétrica, beneficiada temporariamente pelo bônus de Itaipu. Também houve recuo nas passagens aéreas, em parte dos alimentos e nos combustíveis.

Inflação desacelera e atividade perde ritmo

Para Leonardo Costa, economista da instituição financeira Asa, a leitura de agosto se soma aos indicadores de atividade econômica que apontam perda de dinamismo.

“Diante do resultado e da manutenção dos subsídios aos combustíveis, revisamos nossa projeção de IPCA de 2026 para 4,8% (ante 5%), embora o balanço de riscos permaneça relevante, especialmente por fatores climáticos associados ao El Niño e seus potenciais impactos sobre alimentos e energia”, afirmou Costa.

A política de juros elevados adotada pelo Banco Central busca reduzir a demanda e, assim, conter a inflação. Como consequência, porém, tende também a desacelerar investimentos, consumo e o crescimento econômico.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, ritmo inferior ao avanço de 1,1% registrado nos três primeiros meses do ano.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também espera uma redução da Selic na próxima semana.

“Como a inflação tem mostrado algum alívio nos últimos meses e o câmbio também vem se comportando de forma favorável, esperamos que o Banco Central decida por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano”, afirmou.

“Nossa projeção é que os juros sejam mantidos nesse patamar [13,75%] até o fim de 2026”, acrescentou.

Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, também considera que o resultado do IPCA mantém o cenário de redução de 0,25 ponto percentual e prevê a Selic em 13,75% no encerramento do ano.

Há projeções de cortes mais profundos

Basiliki Litvac, economista da XP, avalia que o ciclo de flexibilização monetária pode avançar além do corte esperado para setembro. Sua projeção indica a Selic em 13,25% ao fim de 2026.

A estimativa considera tanto os sinais de desaceleração da atividade econômica, que surgiram antes do previsto, quanto resultados de inflação considerados mais favoráveis nos últimos meses.

Já Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), afirma que o comportamento recente dos preços não justificaria a manutenção dos juros no atual patamar.

Segundo ele, a Selic de 14% reduz os incentivos ao investimento e ao consumo e compromete as perspectivas de crescimento sustentável da economia.

“Os dados de inflação corroboram a defesa da Apas de uma taxa de juros civilizada, ou seja, temos que acelerar o processo de redução de juros, porque a economia, até então, tem se mostrado minimamente resiliente, mas não por muito tempo. E inflação não é o nosso problema macroeconômico do momento”, disse Queiroz.

IPCA fica abaixo do teto da meta pelo segundo mês

No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto. Com isso, a inflação permaneceu pelo segundo mês consecutivo abaixo do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central.

A meta tem centro de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, formando um intervalo de 1,5% a 4,5%.

Apesar do alívio no índice geral, Claudia Moreno chama atenção para a persistência da inflação em segmentos menos voláteis. Segundo ela, os serviços subjacentes, que desconsideram itens sujeitos a oscilações mais fortes, como passagens aéreas, acumulam alta de 5% em 12 meses.

“Esse quadro ajuda a explicar por que levar a inflação de volta para a meta segue sendo um desafio”, afirmou.

Pelas regras atuais, a meta é considerada descumprida quando a inflação acumulada permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

Fonte: Brasil 247

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