Com Flávio, o Brasil mergulhará em uma ‘guerra civil continuada’, adverte Tarso Genro

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Por Leonardo Miazzo — Carta Capital

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DIRETO DA REDAÇÃO: Paulo Teixeira analisa as chances de vitória de Lula

Para o ex-governador gaúcho, uma eventual derrota de Lula devastaria a ideia de nação: ‘Quando o fascismo concorre, detém todos os vícios e defeitos’

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição para presidente da República faria o Brasil sair de uma “tentativa de golpe continuada” para mergulhar, em alguns anos, em uma “guerra civil continuada”, afirmou a CartaCapital o ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-presidente do PT Tarso Genro.

Isso ocorreria, segundo Genro, porque o bolsonarismo funcionaria como um ponto de articulação entre dois níveis da globalização: a dimensão financeira formal/institucional e uma camada subterrânea dominada pelo crime organizado global. Citou como exemplos o tráfico de drogas, a exploração das riquezas naturais e a ocupação irregular de territórios na Amazônia.

“Seria uma devastação da ideia de nação, de País democrático, de País pautado por uma Constituição democrática” , alertou Genro. “Teria de alterar o preâmbulo da Constituição: quando fala na proteção de direitos, teria de falar também das camadas clandestinas da globalização que já estão em curso no Brasil como efeito dominante no espaço político”.

Flávio avançou ao segundo turno na liderança com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula (PT). A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos. Para o ex-governador gaúcho, o presidente já promove mudanças na campanha em busca da virada, como o contato mais direto com a juventude por meio das redes sociais. Genro recomendou intensificar a mobilização e o diálogo com os eleitores mais novos, por considerá-los motores de uma atração política e social voltada a produzir um “grande movimento de reversão”.

Um dos erros no primeiro turno, opina Genro, foi enaltecer em demasia as conquistas dos três governos Lula e falar pouco sobre o futuro. “Setores das classes médias baixas da sociedade sentiram a necessidade de alguém que lhe oferecesse uma perspectiva de futuro.”

Essa conclusão, acrescenta o ex-presidente do PT, produz um problema, porque a extrema-direita oferece uma ideia de futuro mais agressiva e mais palpável — por exemplo, ao defender “matar os marginais”.

“Oferece também uma via fácil e frequentemente mentirosa para combater a corrupção. Isso tudo é, historicamente, a especialidade do fascismo”, prosseguiu. A lógica do “extermínio”, de acordo com ele, se agrava em sociedades em permanente estado de emergência, com necessidades não asseguradas pelo Estado e com um “surto ideológico que fez surgir o fascismo como opção internacional”.

“Em um pleito democrático os candidatos podem ter virtudes e defeitos, mas, quando o fascismo concorre, é visível que só ele detém todos os vícios e defeitos, e não é portador de nenhuma virtude”, resumiu. “O governo Bolsonaro foi uma prova disso.”


Leonardo Miazzo

Editor de CartaCapital

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Fonte: Carta Capital

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