Chanceler cubano responde a Trump: ‘Cuba é um país independente e soberano’

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Por Gabriel Vera LopesBrasil de Fato

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Washington é “incapaz de aceitar” que Cuba é um país independente e soberano, afirmou nesta terça-feira (22) o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, em resposta às declarações do presidente estadunidense Donald Trump durante sua intervenção na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Por meio de uma mensagem publicada nas redes sociais, Rodríguez reiterou que Cuba não representa uma ameaça aos Estados Unidos nem a outros países e questionou as medidas de pressão econômica aplicadas por Washington contra a ilha.

“Cuba não é uma ameaça aos EUA nem a nenhum país. O bloqueio econômico, incluindo o cerco energético, sim, ameaça Cuba e o restante das nações. É um ato de genocídio e punição coletiva. Somos um país de paz e merecemos a paz”, afirmou o chanceler cubano.

As declarações de Rodríguez ocorreram depois que Trump dedicou parte de seu discurso na ONU a Cuba. O presidente estadunidense afirmou que sua administração busca uma “mudança de regime” na ilha e que continuará aumentando a “pressão econômica” como parte de sua política em relação ao país.

Trump classificou Cuba como um “Estado absolutamente falido” e reconheceu que os Estados Unidos estão exercendo uma pressão econômica e institucional que, segundo suas próprias palavras, é a “maior de sua história” contra a ilha e o povo cubano. O presidente estadunidense afirmou ainda que sua administração busca uma “transformação fundamental na situação de Cuba” e voltou a ameaçar que o atual governo cubano “cairá em breve”.

“Minha administração também busca uma mudança fundamental na situação de Cuba, onde o regime comunista está sob uma enorme pressão, a maior pressão que já teve. É um Estado absolutamente falido. Está fracassando como nunca antes e cairá”, afirmou Trump durante sua intervenção na Assembleia Geral da ONU.

O presidente estadunidense — que, no fim de janeiro, assinou uma ordem executiva na qual classifica Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” e por meio da qual impôs o bloqueio energético — voltou a justificar as agressões contra Cuba como uma questão de segurança nacional dos Estados Unidos. Nesse sentido, afirmou que Washington não permitirá “um paraíso para adversários estrangeiros”.

“Não permitiremos que um refúgio para adversários estrangeiros ameace a América em nossas próprias portas”, afirmou.

Trump também afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, “está conduzindo as negociações” com Cuba. A afirmação contrasta com o que Havana tem declarado nos últimos meses, quando o governo cubano negou reiteradamente a existência de conversas formais com Washington e afirmou que “não existem diálogos formais com os Estados Unidos”.

A resposta do chanceler Bruno Rodríguez ocorreu um dia depois de o funcionário questionar a política de Washington em relação à América Latina e ao Caribe durante a reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada nesta segunda-feira (21), no marco do 81º período de sessões da Assembleia Geral da ONU.

Durante sua intervenção, Rodríguez afirmou que a suposta luta dos Estados Unidos contra o narcotráfico na América Latina e no Caribe é um “pretexto” para militarizar a região.

“Utilizam como instrumento de dominação a militarização da região sob o pretexto de combater o narcotráfico; impõem tarifas punitivas contra vários de nossos países; promovem iniciativas que pretendem nos dividir; e tentam enfraquecer os mecanismos de concertação e integração que tanto nos custou construir”, advertiu Rodríguez.

O chanceler também afirmou que a principal preocupação de Cuba no contexto atual é a ofensiva do governo estadunidense para impor a “arcaica Doutrina Monroe”.

Durante o último ano, a Casa Branca ampliou a presença militar estadunidense nas águas do Caribe e do Pacífico. Além disso, desde o início de setembro de 2025, as Forças Armadas dos Estados Unidos vêm realizando uma campanha de bombardeios contra pequenas embarcações que Washington aponta como supostamente vinculadas ao tráfico de drogas.

Segundo registros citados em relatórios das Nações Unidas e de organizações de direitos humanos, as forças estadunidenses realizaram, de maneira extrajudicial, mais de 68 ataques ou bombardeios, que deixaram mais de 230 pessoas mortas. Entre as vítimas estão pescadores da Venezuela, de Trinidad e Tobago e da Colômbia.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenaram essas operações. Os especialistas questionaram a legalidade dos ataques e afirmaram que existem “fundamentos razoáveis para acreditar” que os bombardeios sistemáticos poderiam constituir crimes contra a humanidade de assassinato segundo o direito internacional.

Paralelamente, Cuba prepara a apresentação do projeto de resolução sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra a ilha. O texto será apresentado e submetido à votação formal nos dias 27 e 28 de outubro na Assembleia Geral das Nações Unidas.

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Fonte: Brasil de Fato

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