Caso Master: processo reúne laudos e imagens do suicídio de Sicário

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Por João Antonio CunhaBrasil 247

247 – Documentos do processo sobre o Banco Master que tiveram o sigilo retirado por determinação do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), reúnem imagens e laudos sobre o suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, ocorrido em março deste ano na carceragem da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais.

Apontado pela PF como chefe da milícia particular atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro, Sicário foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação sobre fraudes envolvendo o Banco Master. O conjunto de documentos disponibilizado no processo sustenta a versão apresentada pelas autoridades de que ele morreu após se enforcar na cela.

O material tornado público não contém vídeos, mas reúne 166 frames captados por quatro câmeras do circuito interno da unidade da PF. Também fazem parte do processo 17 laudos, entre eles exames toxicológicos e análises dos celulares de agentes que tiveram contato com o preso.

Imagens registraram a movimentação na cela

Os documentos apontam a existência de três pontos cegos no sistema de câmeras da unidade, mas, segundo o material, nenhum deles alcança o local onde Sicário se enforcou. A sequência registrada pelas câmeras permite acompanhar a dinâmica do episódio.

Um dos laudos conclui que Sicário “agiu sozinho em seu próprio enforcamento” e que “não se identificam ocorrências de cenas que comprovem instigação, induzimento ou auxílio material” para a prática do ato.

As imagens mostram momentos anteriores ao suicídio, incluindo a revista feita pelos agentes. O procedimento buscou verificar se ele carregava objetos como pulseiras, relógios ou cordões. Também foram retiradas hastes da gola da camisa usada pelo preso.

Na cela, Sicário recebeu autorização para utilizar o celular de um agente para fazer ligações. Segundo os laudos, ele tentou falar com a mãe e a irmã 18 vezes depois de chegar ao local, horas antes de morrer.

Prisão e últimas horas

Sicário foi detido em sua residência, em Belo Horizonte, na manhã de 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça. A primeira imagem dele na sede da PF foi registrada às 8h34, quando deixou uma viatura policial pela porta traseira.

Segundo a investigação, ele era apontado como chefe da chamada “Turma”, grupo que teria obtido informações sigilosas para Vorcaro e ameaçado adversários do banqueiro.

Antes do suicídio, Sicário recebeu os advogados Hermes Vilchez Guerrero e Robson Lucas da Silva. O encontro ocorreu pouco antes do meio-dia, em uma sala localizada no quarto andar da sede da PF.

Às 15h21, depois de pedir para ir ao banheiro, Sicário se enforcou. O processo reúne uma sequência de oito imagens das câmeras de segurança que, segundo os documentos, registra a ação sem a participação de terceiros.

O preso foi encontrado às 15h39 por um agente. Em seguida, foi levado por integrantes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João 23.

Sicário permaneceu internado até 6 de março, quando a equipe médica constatou sua morte encefálica.

Fonte: Brasil 247

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