Copom amanhã: quanto você pagaria para apostar na decisão? Mercado de previsões entra no radar do investidor brasileiro; entenda como funciona

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Por Camille LimaSeu Dinheiro

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E se, em vez de comprar dólar para apostar na cotação da moeda ou operar juros para tentar antecipar a decisão do Copom, o investidor pudesse negociar diretamente a aposta que está fazendo? Essa é a lógica por trás dos mercados de previsão, que vêm ganhando espaço nos Estados Unidos e começam a despertar o interesse também no Brasil.  

Neles, o investidor não precisa necessariamente encontrar um ativo que funcione como uma “proxy” para determinado acontecimento. O próprio evento vira o contrato negociado. 

Até pouco tempo atrás, quem apostasse que o dólar terminaria o ano em determinado nível, por exemplo, precisaria comprar a moeda, ações, petróleo ou montar uma estratégia com derivativos — e torcer para que o mercado escolhido reagisse da maneira esperada.  

Nos mercados de previsão, a aposta é mais direta: o que está em jogo é o próprio resultado do evento. 

É justamente essa mudança de lógica que começa a entrar no radar da B3, que discute como esse mercado pode evoluir, quais produtos podem fazer sentido e, principalmente, como levar esse tipo de negociação ao investidor brasileiro sem repetir problemas com as apostas esportivas (bets) nos últimos meses. 

O assunto foi um dos destaques da B3 Week 2026 nesta terça-feira (15). Participaram do painel Jerson Zanlorenzi, sócio e chefe da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual; Judith Casasampere, da Interactive Brokers; e Thiago Godoy, influenciador financeiro. A conversa foi moderada por Luiz Masagão, da B3

Mercado de previsões: o preço da probabilidade 

A grande diferença dos mercados de previsão está justamente em transformar uma opinião sobre o futuro em um preço. 

Se um contrato é negociado a 70 centavos, por exemplo, isso pode representar uma probabilidade implícita de 70% de determinado evento acontecer. Em vez de apenas dizer que algo tem “70% de chance”, o mercado passa a atribuir um valor monetário àquela expectativa. 

“Você sabe exatamente quanto pode perder, sabe exatamente quanto pode ganhar e vê a probabilidade estampada na sua frente na forma de um preço”, afirmou Zanlorenzi. 

Para ele, essa é uma das principais inovações do produto. “Quando falamos sobre algo, todos costumam dizer que há 90% ou 70% de chance de determinado evento acontecer. Mas quanto isso custa?”, questionou. 

Nos mercados tradicionais, nem sempre é possível separar completamente o evento da reação dos ativos financeiros. 

Um investidor pode acertar a direção de uma decisão do Copom, por exemplo, mas perder dinheiro porque o comunicado ou a entrevista do presidente do Banco Central provocou uma reação diferente nos juros. 

“Quem já negociou juros e acertou a decisão da reunião, mas perdeu dinheiro por causa do discurso que veio depois, sabe exatamente do que estamos falando”, disse Zanlorenzi. 

Nos contratos de eventos, a exposição fica mais diretamente ligada ao resultado que o investidor decidiu negociar. 

Brasil já tem uma espécie de “mercado de previsão” 

Apesar de a ideia parecer nova por aqui, a própria B3 já negocia há anos instrumentos que se aproximam dessa lógica: os derivativos

Segundo Zanlorenzi, o BTG já negocia há mais de cinco anos opções relacionadas às decisões do Copom. O produto acabou se tornando uma parcela relevante dos contratos de previsões negociados pela instituição. 

A oferta também avançou para outros indicadores, como IPCA, PIB, câmbio, lucro por ação e dividendos. 

Há, porém, uma diferença importante. Atualmente, esses contratos estão submetidos a uma distribuição restrita determinada pela CVM, e o acesso está limitado a investidores institucionais e clientes profissionais. 

É justamente a possibilidade de ampliar esse universo que coloca os mercados de previsões no centro da discussão. 

Na visão dos especialistas, o diferencial desses produtos não está apenas na estrutura financeira do contrato, mas também na forma como ele chega ao usuário. 

A proposta é que o investidor possa acessar a plataforma pelo celular, escolher um evento e visualizar diretamente a probabilidade associada ao preço. Não seria necessário, portanto, construir uma estratégia complexa de derivativos apenas para expressar uma visão sobre determinado acontecimento. 

Existe ainda um efeito adicional: quando uma opinião passa a envolver dinheiro, o investidor tende a ser obrigado a olhar com mais atenção para os dados que sustentam aquela previsão. 

“Quando eu digo: ‘O dólar vai terminar o ano em 5. Então coloque seu dinheiro nessa previsão’. Nesse momento a pessoa pensa: ‘Talvez eu precise estudar mais’”, disse Zanlorenzi. 

Mercados de previsões x bets? 

É justamente a simplicidade desses produtos que também levanta uma questão: até que ponto um mercado de previsões se aproxima de uma aposta? 

Thiago Godoy, que acompanha o comportamento do investidor pessoa física nas redes sociais, afirmou que recebe uma quantidade crescente de perguntas sobre mercados de previsão — principalmente sobre a diferença entre esses contratos e as apostas esportivas. 

Para ele, três características ajudam a explicar a atração do varejo: simplicidade, possibilidade de expressar uma opinião e perspectiva de ganho financeiro. 

Mas é justamente aí que está um dos principais desafios. 

“Esse produto precisa ter um forte componente educacional. A educação deve fazer parte da própria implementação desse produto”, afirmou. 

A preocupação é que o investidor entre em uma operação sem compreender adequadamente o instrumento, seus riscos ou a diferença entre uma estratégia financeira e uma aposta. 

O Brasil já viveu situações em que influenciadores exibiam supostos ganhos elevados em plataformas de apostas e jogos, inclusive com denúncias de manipulação de telas e resultados falsos. O tema chegou a ser alvo de uma CPI. 

Por isso, na avaliação do influenciador, o crescimento dos mercados de previsão precisa vir acompanhado de informação clara sobre como o produto funciona. 

“Se você não explicar para ele que isso é uma forma de aprendizado e de observar o mercado, ele provavelmente vai pensar apenas: ‘Vou ganhar dinheiro’”, afirmou.

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Fonte: Seu Dinheiro

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