Saúde mental tira quase 1 milhão de horas de trabalho no primeiro semestre; afastamentos longos concentram maior impacto
Por Carina Brito — Seu Dinheiro

Problemas de saúde mental podem até aparecer em uma parcela menor dos afastamentos, mas, quando acontecem, costumam deixar um impacto maior na rotina das empresas. É o que mostram dados da VR, que analisaram atestados relacionados a transtornos mentais emitidos entre janeiro e julho de 2026.
Ao todo, foram considerados 8.198 atestados registrados entre as mais de 75 mil empresas que utilizam os serviços de recursos humanos digitais da companhia. Juntos, eles representam 957.576 horas não trabalhadas no período — ou seja, quase 1 milhão.
A duração dos afastamentos é um dos destaques do estudo. Os casos de 60 dias ou mais correspondem a apenas 8,3% dos atestados, mas concentram 48% dos dias de ausência, o equivalente a 459.296 horas não trabalhadas.
Ou seja: embora sejam minoria entre os registros, os afastamentos mais longos respondem por uma parcela desproporcional do tempo em que os funcionários ficam longe do trabalho.
A situação também aparece quando o corte é feito a partir de 30 dias. Os afastamentos nessa faixa representam 15,8% dos atestados, mas correspondem a 67% dos dias de ausência e somam 182.176 horas não trabalhadas.
Ansiedade aparece em mais atestados de saúde mental
Os dados também mostram diferenças importantes entre os principais motivos relacionados à saúde mental.
A ansiedade é responsável pela maior parte dos registros: aparece em 67% dos atestados analisados. Em termos de tempo afastado, representa 43% dos dias de ausência, totalizando 412.808 horas não trabalhadas.
Já a depressão tem um peso menor no número de registros, mas maior quando se olha para a duração. Ela responde por 15% dos atestados e 27% dos dias de ausência, acumulando 258.248 horas não trabalhadas.
“Uma parcela pequena dos casos, que são os afastamentos com 30 dias ou mais, responde por dois terços de todo o tempo fora do trabalho. Esse dado reforça que saúde mental não é mais questão de bem-estar, mas fator decisivo de sustentabilidade no negócio”, afirma Willian Gil, diretor-executivo de Jurídico, Relações Institucionais e Governança Corporativa da VR.
Segundo o executivo, o problema pode ser minimizado à medida que o líder se aproxima de sua equipe e identifica situações desse tipo com antecedência. “Quanto mais previsível a situação e mais próxima for essa relação, maior a chance de antecipar esses efeitos.”
Então, quando o gestor perceber sinais de sofrimento no funcionário, deve buscar entender quais são os programas de apoio oferecidos pela empresa, que poderá fazer um acompanhamento profissional com o colaborador.
“Se estivermos falando de um micro ou pequeno negócio, o olhar do dono é fundamental para ter um acolhimento. As pessoas precisam ser vistas e ouvidas”, diz. “Ignorar esse cenário é assumir riscos humanos, operacionais e financeiros cada vez maiores.”
São Paulo concentra os casos, mas Minas e Rio têm afastamentos mais duradouros
Na divisão por estado, São Paulo aparece na liderança tanto em quantidade de atestados quanto no volume de dias de ausência. O estado reúne 34,7% dos registros e 34,4% dos dias afastados.
Minas Gerais e Rio de Janeiro, porém, apresentam uma diferença entre a participação nos atestados e nos dias de ausência. Em Minas, os registros representam 12,9% dos dias de afastamento, contra 11,4% dos atestados. No Rio de Janeiro, a participação chega a 5,3% dos dias, enquanto corresponde a 4,5% dos registros.
A diferença indica que, nesses dois estados, os afastamentos têm duração maior do que a média observada no levantamento.
O que muda para as empresas com a NR-1
O executivo reforça que o cenário também ganha importância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que leva as empresas a adotar uma abordagem mais ativa na identificação e gestão dos riscos ocupacionais.
“A NR-1 é o ponto de partida, e cabe às lideranças trazerem a saúde mental para o centro do ambiente de trabalho. Os dados são a base para planos mais assertivos, e o controle de jornada ajuda a identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais”, afirma Gil.
The post Saúde mental tira quase 1 milhão de horas de trabalho no primeiro semestre; afastamentos longos concentram maior impacto appeared first on Seu Dinheiro.
Fonte: Seu Dinheiro