Casa do Artesão transforma trabalho de mulheres em renda e autonomia em Alagoas

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O artesanato deixou de ser visto apenas como passatempo e passou a representar uma fonte de renda e autonomia para mulheres de Messias, em Alagoas, a partir do trabalho desenvolvido pela Casa do Artesão do município. Bordados, crochês, pinturas e peças feitas à mão integram uma produção que movimenta pequenos negócios e ajuda a preservar conhecimentos tradicionais da região.

Segundo reportagem da Agência Sebrae de Notícias, a Casa do Artesão reúne atualmente 17 profissionais cadastrados, dos quais 16 são mulheres. Mais de 150 pessoas participaram de capacitações no espaço nos últimos seis anos. Rafaela Dias Leite, uma das responsáveis pela mobilização das artesãs, estima que entre 50% e 60% das participantes que concluem as oficinas passam a desenvolver alguma linha própria de produção.

As formações incluem conteúdos de precificação, gestão e empreendedorismo. Rafaela, que participa de capacitações do Sebrae desde 2019, também articulou a realização de oficinas do programa Sebrae Delas no município.

Para ela, um dos principais resultados foi a mudança na forma como as próprias artesãs passaram a avaliar o trabalho que produzem.

“Aprendemos que o valor que devemos cobrar deve ser justo, principalmente conosco”, afirma.

Da oficina à criação de um negócio

A trajetória de Cícera Marques, criadora da Casulo Artes, exemplifica esse processo. Depois de frequentar a Casa do Artesão, ela aperfeiçoou técnicas de produção e avançou na organização do negócio, com investimento em consultoria, estruturação das redes sociais e busca pelo registro da marca.

A mudança também atingiu a forma como Cícera apresenta seus produtos ao público. Antes resistente à exposição diante das câmeras, ela passou a participar de eventos, apresentou sua experiência em um Fórum de Empreendedorismo no Instituto Federal de Alagoas (Ifal), em Murici, e incorporou as redes sociais à rotina de divulgação do trabalho.

“Vimos a mulher introvertida dar lugar a uma mulher segura e confiante”, diz Rafaela.

Artesanato preserva conhecimentos locais

Além do impacto econômico, a Casa do Artesão funciona como espaço de transmissão de técnicas ligadas à identidade cultural de Messias. Entre elas está o trabalho com a fibra da bananeira, repassado pelas artesãs mais experientes às novas integrantes.

Crochê e bordado à mão também estão entre as atividades mais procuradas nas oficinas. A proposta é transformar esses conhecimentos em produtos capazes de gerar receita sem romper a ligação com a história e a cultura do município.

“Fazer a economia circular através do artesanato é permitir que o saber e a cultura daquele município não sejam esquecidos. É uma perpetuação de quem somos, nossa cultura é nossa história”, afirma Rafaela.

Mobilização levou Rafaela ao empreendedorismo

Depois de anos atuando na organização e valorização de outras artesãs, Rafaela decidiu criar o próprio negócio. Em junho de 2025, participou do Empretec e, quatro meses depois, abriu um registro como microempreendedora individual para trabalhar com artesanato e instrutoria.

A primeira venda ocorreu no mesmo dia da abertura do MEI: duas bolsas encomendadas por uma profissional do Sebrae. A experiência deu origem à marca Realeza Alagoana.

“Nesse dia eu tive certeza de que estava no caminho certo e que meu medo estava sendo vencido”, lembra.

Rafaela afirma, porém, que pretende vincular o crescimento do próprio negócio à abertura de oportunidades para outras profissionais que passaram pela Casa do Artesão.

“Não me interessa crescer sozinha. Onde houver espaço para uma, haverá para as artesãs que estiveram nessa concepção”, afirma.

Renda permanece no município

A lógica defendida pelas artesãs é que a compra de produtos fabricados localmente tenha efeitos que vão além da comercialização das peças. Para mulheres que conciliam produção, trabalho doméstico e cuidados familiares, o artesanato pode representar uma parcela relevante, ou mesmo a totalidade, da renda.

Ao mesmo tempo, a circulação desses recursos dentro do próprio município ajuda a sustentar pequenos negócios, manter atividades produtivas e ampliar as possibilidades de independência financeira das trabalhadoras.

Dados divulgados na campanha Compre do Pequeno apontam que o Brasil possui mais de 24,19 milhões de CNPJs ligados a pequenos negócios, equivalentes a mais de 96% das empresas ativas. O segmento responde por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desse total, são mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais, 8,8 milhões de microempresas e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte. Segundo os dados apresentados pela campanha, cerca de 80% dos empregos gerados no país estão vinculados ao setor.

Fonte: Brasil 247

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