Brasil e dezenas de países abandonam discurso de Netanyahu na ONU
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Diplomatas brasileiros e de dezenas de outros países organizaram um protesto contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu: abandonaram a sala da ONU enquanto o chefe de governo denunciado por crimes de guerra discursava.
Ainda que estivesse no prédio das Nações Unidas, o chanceler Mauro Vieira sequer entrou na sala. Ele optou por prestigiar um encontro de governos para dar apoio às agências da ONU em Gaza e nos territórios palestinos.
O ato de desagravo do Brasil e dos demais governos já havia ocorrido em 2025. Desta vez, as vaias exigiram que a presidência da Assembleia pedisse silêncio e ordem para que Netanyahu pudesse realizar seu discurso.
O israelense, sabendo que o protesto ocorreria, usou o caso para ofender as delegações que ainda estavam na sala. Ele acusou os governos de “covardes morais” e os convidou a se retirar.
Entre as delegações, nos últimos dias, existiam três planos de protestos sobre a mesa: não comparecer ao discurso, comparecer e não aplaudir, ou mandar muitos diplomatas para a sala e, então, sair em debandada. A terceira opção foi escolhida, justamente para causar mais impacto.
O protesto não ocorreu apenas por conta do genocídio em Gaza, relatam diplomatas ao ICL Notícias. Um dos problemas tem sido o veto de americanos e israelenses para que a delegação palestina possa ser devidamente representada na ONU.
Pelo segundo ano consecutivo, o governo de Donald Trump negou vistos para o presidente palestino, Mahmoud Abbas. O gesto impede que a delegação árabe possa usar a semana de reuniões para realizar encontros com outros chefes de estado.
Entre as delegações latino-americanas, porém, várias delas permaneceram na sala, sob os olhares atentos dos EUA. Ao contrário da situação no ano passado, vários dos países da região são hoje governados por aliados de Trump.
Já Lula usou seu discurso para denunciar o “genocídio” e acusou diretamente o governo Netanyahu pelos crimes contra mulheres e crianças.
Em uma sala parcialmente vazia, Netanyahu adotou um tom agressivo.
“A todos aqueles que espalham mentiras sobre o meu país e seus bravos soldados — estejam eles sentados neste plenário ou no gabinete antissemita do prefeito de Nova York — eu digo isto: Que vergonha”, disse, numa referência ao prefeito Zohran Mamdani. “Que vergonha por distorcerem os fatos. Que vergonha por inverterem os papéis de vítima e agressor. Que vergonha por cuspirem na cara da verdade”, insistiu.
“Vários países estrangeiros gastaram bilhões incontáveis para espalhar mentiras sobre o meu país”, acusou.
Pacote não prevê período de transição e terá projeto com medidas penais contra empresas que insistirem em operar ilegalmente
Fonte: ICL Notícias