Barrado de debate, Renan Santos prepara protesto em frente à Globo
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, desistiu de apresentar um novo recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir sua participação no último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno. Sem perspectiva de uma nova decisão judicial a tempo, a campanha passou a considerar a realização de um protesto em frente à emissora durante a transmissão.
Segundo a CNN Brasil, a avaliação dos coordenadores da candidatura é que um recurso ao plenário do Supremo dificilmente seria analisado antes do início do debate desta quinta-feira (1º). A estratégia, agora, é insistir diretamente com a Globo por uma mudança de posição e, caso Renan permaneça fora do encontro, promover uma manifestação diante da sede da emissora.
“Não daria tempo de julgar um novo recurso. Contamos ainda com a boa vontade da emissora, mas, se isso não ocorrer, estamos planejando um protesto em frente à Globo com o próprio Renan”, afirmou à CNN o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), um dos coordenadores da campanha.
Cármen Lúcia rejeitou pedido no STF
A decisão de abandonar uma nova tentativa judicial ocorreu depois de a ministra Cármen Lúcia, do STF, rejeitar a ação apresentada pelo Missão para incluir Renan no debate. A candidatura havia recorrido ao Supremo após uma derrota anterior no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O partido utilizou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para questionar a exclusão. Cármen Lúcia, porém, entendeu que esse tipo de ação não era adequado para tratar de um interesse específico da candidatura e ressaltou que controvérsias dessa natureza pertencem à competência da Justiça Eleitoral.
Antes da ida ao STF, Renan e o Missão haviam acionado o TSE em caráter de urgência, alegando que a ausência do candidato reduziria a pluralidade do debate. O pedido também foi rejeitado.
Missão cita desempenho de Renan nas pesquisas
Na contestação apresentada ao Supremo, o partido argumentou que Renan aparecia numericamente à frente de Romeu Zema (Novo) em alguns levantamentos eleitorais e, por isso, haveria uma “legítima expectativa de participação” no debate.
Pesquisas divulgadas na reta final do primeiro turno chegaram a registrar Renan com 3% no Datafolha e na Quaest e 4,5% no levantamento AtlasIntel/Bloomberg, segundo dados publicados pela CNN.
A controvérsia também envolve os critérios adotados para os convites. A Globo havia informado anteriormente que seguiria as regras da legislação eleitoral, que obrigam as emissoras a convidar candidatos de partidos ou federações que atendam aos requisitos de representação parlamentar. Renan e Zema contestaram a exclusão.
Sem uma nova investida no STF, a campanha de Renan concentra seus esforços nas últimas horas antes do debate para tentar obter uma reconsideração da emissora. Caso isso não aconteça, a manifestação em frente à Globo deve se tornar a principal reação política da candidatura à ausência do presidenciável no encontro.
Fonte: Brasil 247