Antes de recuar, Flávio e sua campanha agiram 7 vezes contra fim da escala 6×1
Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Por Cleber Lourenço
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, depois de meses de resistência à proposta. Um levantamento do ICL Notícias identificou sete episódios envolvendo o candidato à Presidência e integrantes de sua campanha, entre críticas à redução da jornada, apresentação de uma proposta alternativa e articulações para adiar a votação no Senado. Um dos episódios envolve uma denúncia de obstrução feita pelo líder do governo no Congresso.
A mudança de posição ocorreu a 12 dias do segundo turno da eleição presidencial, após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro. Até a semana passada, Flávio classificava a proposta como oportunista e defendia que o Congresso deixasse a votação para depois das eleições.
Agora, o candidato afirma que votará a favor da medida porque essa seria a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. Também prometeu que, caso seja eleito, seu governo ajudará os empresários a arcar com os custos da redução da jornada, mas não apresentou estimativas nem explicou como financiaria a compensação.
A proposta em discussão no Senado prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso por semana e preservar os salários. A votação está prevista para quarta-feira (14).
O histórico de resistência envolve declarações do próprio Flávio, iniciativas legislativas de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, e movimentos políticos para postergar a apreciação da proposta.
1. Flávio previu desemprego em massa com a redução da jornada
Em 19 de maio, durante uma reunião com integrantes do PL, Flávio criticou a redução da jornada e afirmou que a medida poderia prejudicar os trabalhadores.
Segundo o senador, a mudança provocaria “desemprego em massa, aumento do custo de vida” e teria consequências negativas para a economia.
Na ocasião, também classificou a discussão como eleitoreira e defendeu uma alternativa baseada na remuneração por hora trabalhada.
2. Senador assinou PEC que permite salários proporcionais às horas trabalhadas
Em 28 de maio, Flávio tornou-se um dos autores da PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho. A proposta, disponível no site do Senado, prevê mudanças nas regras de contratação que não garantem o fim da escala 6×1.
Diferentemente da redução da jornada defendida pelo governo Lula, a PEC permite contratos com pagamento proporcional às horas trabalhadas. Nesse regime, férias, 13º salário e FGTS também seriam calculados proporcionalmente.
O texto ainda prevê a prevalência do contrato individual sobre acordos coletivos na modalidade flexível, diminuindo a participação dos sindicatos na definição das condições de trabalho.
Na prática, a proposta assinada por Flávio não assegura uma jornada semanal de 40 horas com manutenção dos salários. Um trabalhador contratado pelo novo regime poderia ter sua remuneração mensal reduzida caso trabalhasse menos horas.
3. Coordenador da campanha defendeu adiar votação
Em agosto, Rogério Marinho passou a defender que o Senado deixasse a votação da PEC que acaba com a escala 6×1 para depois das eleições presidenciais.
A posição contrariava o esforço do governo Lula para aprovar a redução da jornada ainda durante a campanha.
Marinho argumentava que a votação naquele momento favoreceria eleitoralmente o presidente. O adiamento, entretanto, também postergaria uma decisão sobre a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores.
4. Aliados apresentaram emendas e votaram contra a PEC
Em 2 de setembro, durante a análise da proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Rogério Marinho apresentou emendas para modificar o texto.
A oposição buscava incorporar à discussão o modelo de contratação flexível defendido por Flávio e seus aliados, em lugar da redução geral da jornada com manutenção dos salários.
Marinho votou contra o parecer favorável à PEC. Também se posicionaram contra o texto Tereza Cristina (PP-MS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Apesar da resistência, a proposta avançou na comissão.
5. Articulação para esvaziar o Senado e impedir a votação
No mesmo dia, uma articulação da oposição para esvaziar o plenário do Senado impediu que a proposta fosse submetida à votação. O movimento foi denunciado pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que apontou diretamente Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho como responsáveis pela articulação.
“Foi uma articulação feita pelo senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ] e pelo líder da oposição na Casa, senador Rogerio Marinho [PL-RN]”, afirmou Randolfe, em entrevista coletiva registrada pela Agência Senado.
Segundo o líder governista, a movimentação havia conseguido impedir a votação naquela data. Sem a presença de parlamentares suficientes para assegurar os 49 votos necessários à aprovação de uma emenda constitucional, o governo decidiu não levar a proposta ao plenário.
6. Flávio voltou a chamar a proposta de oportunista no segundo turno
Em 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno da eleição presidencial, Flávio voltou a criticar a proposta de redução da jornada.
O candidato classificou a iniciativa do governo Lula como oportunista e afirmou que a alternativa defendida por sua campanha seria “infinitamente melhor”.
A declaração ocorreu quando o fim da escala 6×1 já havia se tornado um dos principais temas da disputa presidencial. Mesmo assim, Flávio manteve a defesa da remuneração por hora trabalhada, sem a garantia de preservação dos salários prevista na proposta apoiada pelo governo.
7. Flávio defendeu deixar votação para depois das eleições
Em 7 de outubro, apenas seis dias antes de anunciar apoio à medida, Flávio voltou a defender que o Senado adiasse a votação.
O candidato afirmou que a orientação para a bancada do PL era deixar a apreciação da proposta para depois do segundo turno da eleição presidencial.
Ao criticar Lula, declarou: “Ele está pensando no poder, não está pensando no trabalhador”.
A manifestação reforçou a estratégia de postergar a votação da proposta, apesar da pressão pela redução da jornada.
Campanha também acionou TSE contra anúncios sobre a escala 6×1
A disputa em torno da proposta chegou à Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, a campanha de Flávio conseguiu uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibindo novos impulsionamentos pagos de anúncios da campanha de Lula que associavam o senador à manutenção da escala 6×1.
A decisão foi fundamentada nas restrições à propaganda eleitoral negativa paga na internet. O ministro não concluiu que o histórico de declarações e iniciativas contrárias à PEC fosse falso.
Dois dias depois, Flávio anunciou que votará a favor da redução da jornada, defendendo que um eventual governo seu compense financeiramente os empresários pelos custos adicionais.
A mudança ocorreu após manifestações de apoiadores de Lula em diferentes cidades, nas quais o fim da escala 6×1 esteve entre as reivindicações. O presidente atribuiu a mudança de posição do adversário à pressão popular.
Apesar do anúncio, Flávio manteve a defesa de um modelo alternativo de contratação flexível. Até o momento, não informou se pretende retirar seu apoio à PEC 12/2026, da qual é um dos autores.
A votação prevista para quarta-feira será a primeira oportunidade de confrontar a nova posição pública do candidato com seu voto efetivo no Senado.
Informações em primeira mão! Siga o canal do ICL Notícias no WhatsApp
Acesso total a mais de 300 cursos, materiais e séries! Seja Membro ICL
Siga e acompanhe as atualizações do ICL Notícias também pelo Google News
fim da escala 6×1Flávio Bolsonaro
Relacionados
Flávio Bolsonaro diz que não irá ao debate na Band, e emissora afirma que púlpito ficará vazio
Segundo o senador, equipe técnica ainda avalia presença em embate na TV Globo
Flávio Bolsonaro já falou ser contra ‘torrar’ dinheiro em Farmácia Popular: ‘Politicagem’
Programas seriam uso eleitoral do dinheiro público e incentivariam os pobres a ter mais filhos
Temendo perder votos, Flávio Bolsonaro recua e diz que votará contra escala 6×1
Candidato do PL muda de posição às vésperas do segundo turno, diante da ampla aprovação popular da medida
Carregar Comentários
Fonte: ICL Notícias




