Ambipar foi alvo de articulação de sócios do Master, revelam mensagens obtidas pela Polícia Federal

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira (14) pelo Valor Econômico revela os bastidores de operações financeiras conduzidas por Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado, ex-sócios e parceiros de negócios do Banco Master, envolvendo ações da Ambipar e negociações com os empresários Tércio Borlenghi e Nelson Tanure. As mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que a dupla discutiu ganhos potenciais superiores a R$ 1 bilhão e buscou transformar a valorização dos papéis em recursos para o conglomerado financeiro.

Vorcaro e Quadrado discutiram divisão de ganhos bilionários

As conversas mostram que, em julho de 2024, Quadrado já calculava ganhos potenciais de R$ 500 milhões com as ações da Ambipar. “Dá para ficar para nós o ganho. Temos que falar com ele só que o risco fica para nós”, escreveu a Vorcaro. Em seguida, propôs: “Vamos fazer e dividir o ganho entre nós?”

Em agosto, a valorização dos papéis levou Quadrado a apresentar uma divisão de resultados ainda maior. “Travamos o ganho em 1 bilhão”, disse Quadrado. Vorcaro, entretanto, considerou a proposta insatisfatória. Avaliou que a posição em ações poderia valer até R$ 2 bilhões e resistiu à possibilidade de realizar um ganho menor.

As mensagens evidenciam que a valorização das ações era tratada como uma oportunidade de ganhos expressivos, embora a baixa liquidez dos papéis dificultasse sua conversão em dinheiro.

Ações foram discutidas como fonte de liquidez para o Master

A reportagem mostra que, com o agravamento da situação financeira do Banco Master, as ações da Ambipar passaram a ser consideradas uma possível fonte de recursos para a instituição.

Em abril de 2025, Vorcaro discutiu com Quadrado a necessidade de gerar resultados para elevar o patrimônio líquido do banco.

Quadrado mencionou a possibilidade de levantar R$ 500 milhões por meio de operações envolvendo o fundo Texas, que possuía ações da Ambipar.

“Então ótimo”, respondeu Vorcaro. “Pq esse é o gargalo. Bacen. Resolvendo isso vai dar certo.”

O diálogo indica a importância atribuída pelo banqueiro à operação em meio às exigências e à fiscalização do Banco Central.

Segundo o Valor, a valorização das ações também contribuiu para o crescimento do patrimônio líquido do Master, que passou de R$ 2,4 bilhões no fim de 2023 para R$ 4,7 bilhões em dezembro de 2024.

Controlador resistiu a dar ações da Ambipar em garantia

Um dos episódios mais relevantes da documentação ocorreu em agosto de 2025, quando as negociações envolveram a utilização de ações da Ambipar como garantia.

Em 7 de agosto, Quadrado relatou a Vorcaro que a advogada de Tércio Borlenghi resistia à constituição de ônus sobre os papéis.

Após conversar com o controlador da companhia, Quadrado transmitiu sua preocupação.

“Falei com o Tercio. Ele tem muito medo destas ações serem vendidas. Se não der segurança ele não vai em frente”, escreveu.

Vorcaro respondeu: “Então melhor cancelar, vendida não será, mas não tem como fazer sem dar em garantia”.

A conversa demonstra que havia preocupação explícita do controlador com o destino das ações e com os riscos associados à operação.

Nelson Tanure nega participação em ação coordenada

O nome de Nelson Tanure aparece nas mensagens em razão de operações relacionadas à Emae, companhia adquirida em processo de privatização realizado pelo governo de São Paulo em 2024.

As conversas mostram que Vorcaro e Quadrado discutiram alternativas envolvendo dívidas, garantias e participações societárias ligadas à Ambipar e à empresa de energia.

Em nota ao Valor, Tanure afirmou que não teve acesso às mensagens e rejeitou qualquer participação em uma articulação para influenciar a cotação das ações.

O empresário declarou que “não participou de qualquer ação coordenada envolvendo ações da Ambipar, tampouco se beneficiou de eventual valorização artificial desses papéis”.

Tanure também sustentou que a aquisição da Emae ocorreu com recursos privados cedidos pela XP, após análise das garantias oferecidas.

Segundo sua manifestação, sua relação com o Banco Master e outras gestoras ocorreu exclusivamente na condição de cliente.

Pedido de recuperação judicial já havia sido determinado pela Justiça

As mensagens também mencionam o pedido de recuperação judicial da Ambipar, que, no entanto, já era público e havia sido determinado pela Justiça.

Em 24 de setembro de 2025, a Ambipar recorreu à Justiça para obter proteção contra cobranças e vencimentos antecipados de dívidas. No dia seguinte, a 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro deferiu a medida e determinou que o pedido de recuperação judicial fosse apresentado em até 30 dias.

Em 20 de outubro, data em que a companhia apresentou formalmente seu pedido de recuperação judicial, dentro do prazo fixado pela Justiça, Quadrado enviou uma mensagem a Vorcaro cobrando a assinatura de documentos.

“Daniel. O pessoal está te esperando para assinar. Temos que fechar hoje aqui com Tércio. Ele vai entrar com o pedido de RJ.”

No dia seguinte, Vorcaro reclamou de um documento relacionado à companhia e ameaçou reverter uma operação realizada anteriormente.

As conversas mostram que as articulações entre os sócios do Master se prolongaram até um momento crítico para a Ambipar, sem que a companhia participasse delas.

Procurada pelo Valor, a defesa de Vorcaro não se manifestou até o fechamento da reportagem. A Ambipar também não comentou.

Maurício Quadrado afirmou que as mensagens tratavam de discussões preliminares sobre operações estruturadas no mercado de capitais e que não indicavam, por si só, benefícios financeiros pessoais. Segundo ele, a estrutura mencionada em uma das conversas não chegou a ser implementada nos termos discutidos.

Fonte: Brasil 247

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