Alvo de mandado de prisão, Milton Leite nega elo com o PCC e promete se apresentar em 24 horas

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), negou qualquer vínculo com o crime organizado e declarou que se apresentará às autoridades no prazo de até 24 horas, informa o jornal O Globo. Ele se tornou alvo de um mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.

A ação policial e ministerial investiga o controle financeiro e operacional exercido pela facção sobre 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo, com indícios de fraudes sistemáticas em licitações e atuação de Milton Leite como operador. Além de combater as fraudes no setor de transportes, a investigação revela que o grupo criminoso estruturou um “núcleo político” encarregado de captar recursos públicos e expandir seus negócios, utilizando estratégias como o financiamento e o apoio a candidaturas alinhadas aos interesses da organização. A operação também mira a “sintonia dos gravatas”, um núcleo de advogados suspeito de atuar diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da facção.

Milton Leite alegou que estava viajando quando soube da ordem judicial e disse ter sido surpreendido com o mandado de prisão, que foi recebido por sua advogada na capital paulista. Ele recusou-se a revelar sua localização exata para evitar ser capturado antes de organizar sua defesa.

“Nego veementemente qualquer acusação, não sou dono da empresa, só tinha relação porque era próximo lá. Não tenho nada a ver com PCC, nunca encontrei esse pessoal na vida. Não havia sido intimado a depor, e fui surpreendido com o mandado de prisão. Minha advogada está em São Paulo e recebeu a intimação. Não estou em São Paulo, eu estou viajando mesmo, não vou falar a cidade para não virem me buscar. Eu preciso de 24 horas para organizar a defesa”, declarou o ex-parlamentar ao defender sua inocência em relação à Transwolff, uma das empresas sob suspeita.

No total, a Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Figura de enorme influência na política paulistana, Milton Leite cumpriu sete mandados como vereador e esteve no comando da presidência da Câmara Municipal de São Paulo em quatro oportunidades. Embora tenha decidido não disputar novos cargos eletivos após o término de seu último mandato no ano passado, ele mantém forte poder político na capital e no estado.

Atualmente, o político preside o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e comanda o diretório estadual da Federação União Progressista (UP), formada pela junção do União Brasil com o Progressistas (PP). Sua família permanece ativa nas disputas eleitorais: seu filho Alexandre Leite é deputado federal e concorrente a uma vaga de deputado estadual, enquanto seu outro filho, Milton Leite Filho, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados como deputado federal.

Fonte: Brasil 247

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