Macklemore doará US$ 1 milhão a ONGs pró-Palestina após ser expulso da turnê de Ed Sheeran

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O rapper Macklemore anunciou que doará US$ 1 milhão — cerca de R$ 5,1 milhões na cotação informada — para seis organizações que prestam auxílio aos palestinos. A decisão foi anunciada depois de o artista ser expulso da etapa norte-americana da turnê “Loop”, de Ed Sheeran, após gritar “Free Palestine” durante uma apresentação em Nova Jersey.

Macklemore integrava o grupo de artistas convidados para abrir os shows de Sheeran e estava escalado para oito das dez apresentações restantes nos Estados Unidos. A retirada ocorreu após empresários se recusarem a realizar os concertos caso o rapper continuasse na programação.

O anúncio da doação foi feito por Macklemore nesta quarta-feira (16). Segundo o músico, o US$ 1 milhão corresponde ao valor que receberia por sua participação na turnê e será distribuído entre seis entidades ligadas à assistência aos palestinos.

“Uma vida palestina não tem menos valor do que qualquer vida desta Terra. Sempre foi sobre isso. Não é sobe mim. Não é sobre a turnê. Não é sobre as manchetes ou controvérsias. É sobre o direito dos palestinos a liberdade, dignidade e segurança na sua própria terra natal”, escreveu o rapper no Instagram.

Macklemore também desafiou o empresário Robert Kraft a fazer uma doação. Kraft está ligado ao Gillette Stadium, em Boston, um dos locais previstos para receber a turnê, e esteve entre os responsáveis pela pressão para impedir uma nova apresentação do rapper.

A controvérsia começou em 4 de setembro, quando Macklemore se apresentou no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante o show, gritou “Free Palestine” e disse que desejava que as pessoas de Gaza e da Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.

A manifestação levou o Conselho Israelense-Americano a lançar uma petição pedindo a retirada do músico da turnê.

Dias depois, a Messina Touring Group, promotora responsável pela etapa norte-americana da “Loop Tour”, confirmou que Macklemore estava fora das apresentações restantes.

“Como promotora da turnê ‘Loop’ de Ed Sheeran nos Estados Unidos, fomos informados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que eles não permitirão a realização dos shows com Macklemore no line-up. Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de apoio.”

Entre as cidades onde os locais de apresentação teriam se oposto à presença do rapper estavam Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa. A turnê tem retomada prevista para 19 de setembro, na Filadélfia.

Ed Sheeran afirmou posteriormente que a decisão de expulsar Macklemore da programação não havia sido tomada pessoalmente por ele, atribuindo a medida à promotora da turnê e à resistência dos estádios. O cantor disse que tentou intermediar uma solução durante os dias de impasse.

No entanto, o cantor foi alvo de críticas por não se posicionar e defender o direito à liberdade de expressão. Ed ainda também foi duramente criticado por dizer ser isento a posicionamentos políticos, mas no passado militar a favor da Ucrânia.

Macklemore, ao se pronunciar sobre o episódio, rejeitou se apresentar como vítima da controvérsia e voltou a concentrar sua manifestação na situação dos palestinos.

“Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, escreveu Macklemore no Instagram.

“Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo. Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos.”

Sheeran também respondeu às críticas que recebeu após a expulsão do rapper.

“Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe”, publicou Sheeran.

A retirada de Macklemore desencadeou uma debandada entre os demais artistas convidados para abrir os concertos. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram que não participariam mais da turnê.

Com as desistências, Sheeran ficou sem os artistas de abertura anteriormente previstos para a sequência dos shows nos Estados Unidos. A programação da turnê se estende até 11 de dezembro.

Finneas, que também estava escalado para abrir os shows de Sheeran em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro, vinculou sua decisão à controvérsia.

“Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”, escreveu Finneas no Instagram.

Lukas Graham também defendeu o direito de artistas se posicionarem.

“Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”, afirmou Graham.

Aaron Rowe declarou: “Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”.

A banda Beoga também se manifestou: “Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”.

Fonte: Brasil 247

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