Percepção sobre prejuízos das redes sociais à democracia cresce no mundo, aponta pesquisa

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – A percepção de que as redes sociais causam prejuízos à democracia tornou-se mais frequente ao redor do mundo, impulsionada pelo avanço das plataformas digitais no ambiente informacional global. É o que aponta uma nova pesquisa realizada pelo Pew Research Center em 37 países. Segundo o levantamento, na maioria das nações onde há dados históricos disponíveis, a parcela da população que considera as redes sociais prejudiciais ao sistema democrático cresceu de forma significativa em relação a 2022 ou 2023, informa o relatório do instituto.

No Brasil, os dados indicam um cenário alinhado ao comportamento de países emergentes, onde predomina uma visão mais positiva sobre a atuação do ecossistema digital. No país, 29% da população afirma que as redes sociais são prejudiciais à democracia, enquanto a ampla maioria dos brasileiros enxerga as plataformas digitais como ferramentas que contribuem para o fortalecimento democrático, garantindo mais informação e espaço de expressão para os cidadãos.

Apesar do avanço desse ceticismo em diversas partes do planeta, a visão geral sobre o impacto das redes sociais permanece predominantemente favorável no plano global. Nas 37 nações analisadas, uma mediana de 55% dos entrevistados avalia que as redes sociais trouxeram um impacto positivo para a democracia, enquanto uma mediana de 35% aponta um efeito negativo. As opiniões, contudo, variam intensamente conforme o nível de renda do país, a faixa etária e o grau de escolaridade dos cidadãos.

O desgaste na imagem das plataformas digitais é particularmente acentuado nos Estados Unidos, onde 64% dos adultos afirmam que elas prejudicam a democracia. Embora a avaliação tenha se tornado mais negativa em muitos países nos últimos anos, a opinião dos norte-americanos manteve-se estável em comparação com 2022. Na prática, outras nações estão alcançando o patamar de percepção negativa já consolidado em território norte-americano.

De modo geral, moradores de países com maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita demonstram maior tendência a encarar as redes sociais como nocivas à política. Os sete países pesquisados onde metade ou mais da população afirma que as redes sociais são prejudiciais à democracia estão entre os mais ricos da amostragem: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. Em contrapartida, Israel e Singapura surgem como exceções entre as nações de alta renda, registrando proporções relativamente baixas de cidadãos que veem prejuízos ao sistema democrático.

Nas nações com menor PIB per capita, a avaliação das plataformas digitais tende a ser consideravelmente menos negativa. Em países como Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, aproximadamente três em cada quatro pessoas — ou até mais — afirmam que as redes sociais têm sido benéficas para a democracia.

O fator geracional também desempenha papel central nos resultados do levantamento. Os jovens adultos na maioria dos países mostram-se especialmente propensos a enxergar um efeito positivo das redes sociais na democracia. Uma das maiores disparidades etárias foi registrada no Reino Unido, onde 60% dos adultos entre 18 e 34 anos afirmam que a influência das redes na democracia tem sido positiva, em comparação com apenas 31% daqueles com 50 anos ou mais. Nos Estados Unidos, 44% das pessoas com menos de 35 anos compartilham dessa opinião favorável, contra 28% dos entrevistados na faixa de 50 anos ou mais.

O estudo indica que a sensação de participação política explica parte do suporte expressivo às plataformas online. Uma média de 60% dos entrevistados nos 37 países pesquisados afirma que o acesso à internet e às redes sociais aumentou a capacidade das pessoas de terem uma participação significativa na política, em um momento em que muitas relatam se sentir silenciadas. Além disso, uma média de 77% acredita que essa tecnologia permitiu que a população ficasse mais bem informada sobre os acontecimentos atuais.

Ao mesmo tempo, os cidadãos demonstram ciência sobre os impactos nocivos do ambiente digital: uma média de 79% dos entrevistados avalia que as redes sociais facilitaram a manipulação das pessoas com informações falsas e boatos, e 68% declaram que elas tornaram a população mais dividida em suas opiniões políticas. A percepção de amplificação das divisões políticas registrou aumentos de dois dígitos em diversos países, incluindo Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.

Nos Estados Unidos, cerca de oito em cada dez entrevistados (81%) dizem que o acesso à internet e às redes sociais deixou a população politicamente mais dividida — proporção semelhante à registrada em 2022 (79%). No cenário americano, não há divergências partidárias significativas sobre o tema: 83% dos republicanos e independentes alinhados ao partido compartilham dessa avaliação, assim como 82% dos democratas e simpatizantes do Partido Democrata.

O levantamento revela ainda que o Facebook tende a ser a rede social mais comum entre as cinco analisadas no estudo, seguido pelo Instagram. O público mais jovem demonstra forte uso do TikTok, enquanto parcelas menores utilizam o X (antigo Twitter) ou o Snapchat. Em 29 dos 37 países pesquisados, pelo menos um terço dos adultos conclui que as redes sociais são responsáveis simultaneamente pelos quatro efeitos mapeados — informar, dar voz, manipular e dividir a sociedade.

Para a elaboração do relatório, o Pew Research Center entrevistou 45.658 pessoas em 37 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026. Dados adicionais sobre o uso das plataformas digitais em solo americano foram coletados em uma pesquisa complementar realizada com 5.511 adultos entre 30 de janeiro e 18 de junho de 2026.

Fonte: Brasil 247

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