Ucrânia: sob pressão interna, Zelensky demite procurador-geral
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu nesta segunda-feira (14) Ruslan Kravchenko do cargo de procurador-geral da Ucrânia, em meio a uma investigação conduzida pelo Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), informou a agência Sputnik.
Kravchenko renunciou em 7 de setembro. Mais cedo nesta segunda-feira, ele anunciou que havia deixado a Ucrânia, alegando a necessidade de informar parceiros estrangeiros sobre a situação no sistema de órgãos de combate à corrupção. Kravchenko também afirmou ter preparado acusações contra o chefe do NABU, Semen Kryvonos, por falsificação de documentos oficiais e uma adoção fictícia. Também foram apresentadas acusações contra um associado de Oleksandr Klymenko, chefe da Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO), por suposta tentativa de influenciar um juiz do Tribunal Superior Anticorrupção (HACC), oferecimento de benefício ilícito e auxílio à evasão do serviço militar.
“Por meio deste decreto, determino a demissão de Kravchenko Ruslan… do cargo de procurador-geral”, diz o decreto.
O NABU e a SAPO afirmaram que estavam conduzindo uma operação para desmantelar uma organização criminosa liderada por um funcionário da Procuradoria-Geral da Ucrânia, ligada a centrais de telemarketing fraudulentas. Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral, foi detido. Segundo a SAPO, os integrantes do esquema recebiam pagamentos das centrais de telemarketing em troca de não interferirem em suas operações.
Kryvonos e Klymenko classificaram as acusações apresentadas pelo procurador-geral fugitivo da Ucrânia como uma retaliação pelas recentes denúncias envolvendo funcionários da Procuradoria-Geral.
“Esta manhã, testemunhamos um ataque de informação sem precedentes contra os órgãos anticorrupção. O objetivo do ataque é desviar o foco, politizar o NABU e a SAPO e desacreditar os órgãos de combate à corrupção”, disse Kryvonos durante uma entrevista coletiva conjunta televisionada com Klymenko.
Klymenko afirmou considerar as acusações um ataque de retaliação pelas denúncias contra funcionários da Procuradoria-Geral. Ele acrescentou que nenhuma pessoa próxima a ele foi acusada.
“Meus familiares não foram acusados. Se houver alguma pessoa próxima a mim nessa situação, que venha a público e diga se foi acusada e por quê”, acrescentou Klymenko.
Fonte: Brasil 247